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China retira licença de advogado e amplia pressão contra defesa de pastor da Igreja Sião

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As autoridades chinesas endureceram as medidas contra os profissionais que representam líderes da Igreja Sião de Pequim, congregação protestante considerada uma das maiores igrejas domésticas do país. O advogado Zhang Kai, que atua no caso, teve sua licença cancelada, enquanto outros defensores receberam suspensões temporárias ou advertências verbais, segundo informou o The Wall Street Journal na última sexta-feira (24).

Em carta divulgada pela igreja, representantes classificaram as ações como um “atropelo da justiça e do Estado de Direito”. Para Grace Jin, filha do fundador da igreja, a pressão sobre a equipe jurídica dificulta o acesso da família a informações sobre o estado de saúde do pai e compromete a estratégia de defesa.

Prisão do pastor completa cinco meses

O pastor Ezra Jin Mingri, de 56 anos, foi detido em 24 de outubro de 2025 em sua residência em Beihai, província de Guangxi. No mesmo dia, cerca de 30 líderes e membros da Igreja Sião foram presos ou desapareceram em cidades como Pequim, Xangai e Shenzhen. Dezoito dessas pessoas, incluindo Jin, permanecem em um centro de detenção em Beihai.

Laços com os Estados Unidos agravam repercussão

A família do pastor mantém fortes conexões com os EUA: Grace Jin vive na região de Washington e trabalha como assessora no Senado, enquanto a esposa de Jin, Chunli Liu, reside no país desde 2018 com os três filhos do casal, todos cidadãos norte-americanos. O secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, e membros do Congresso já solicitaram oficialmente a libertação do líder religioso.

Rubio acusou o Partido Comunista Chinês de hostilidade contra cristãos que se recusam a registrar suas congregações junto ao governo e defendeu o direito de fiéis de todas as religiões exercerem sua fé sem represálias.

Igreja Sião sob vigilância

Fundada em 2007 após os estudos de Jin no Seminário Teológico Fuller, na Califórnia, a Igreja Sião ganhou notoriedade ao reunir milhares de fiéis em cultos presenciais e, mais tarde, virtuais. Depois que autoridades fecharam o templo em Pequim, em 2018, a congregação passou a se reunir on-line, chegando a atrair até 10 mil participantes por Zoom, YouTube e WeChat.

O aumento da atividade digital coincidiu com regras emitidas em setembro de 2024, que limitam a difusão de conteúdo religioso à internet controlada pelo Estado. Líderes temem que Jin seja acusado de violar essas normas.

Liberdade religiosa sob escrutínio

Embora a Constituição chinesa garanta liberdade de culto, apenas organizações reconhecidas pelo governo, como o Movimento Patriótico das Três Autonomias (protestante) e a Associação Patriótica Católica Chinesa, podem operar legalmente. Igrejas domésticas que se recusam a se registrar relatam vigilância constante, intimidações e, em alguns casos, classificação como “seitas” pelas autoridades.

Antes da prisão, Jin era monitorado 24 horas por dia e estava impedido de deixar o país. Ele chegou a tentar renovar seu visto na Embaixada dos EUA em Pequim, mas foi interceptado por agentes que o escoltaram ao aeroporto e o forçaram a deixar a capital. Desde a detenção, a família não sabe se o pastor foi formalmente indiciado.

O caso continua a mobilizar organizações religiosas e representantes estrangeiros, que cobram transparência no processo e o restabelecimento do direito de defesa aos envolvidos.

Com informações de Folha Gospel