Berlim, 24 ago. – A Conferência Episcopal Alemã divulgou alerta sobre o aumento expressivo na quantidade e na violência de ataques contra igrejas em todo o país.
Segundo porta-voz do órgão, casos de incêndio criminoso, destruição de estátuas religiosas e profanação de espaços sagrados tornaram-se mais frequentes nos últimos anos. “Todos os tabus foram quebrados”, afirmou, citando episódios em que confessionários foram violados e imagens de Jesus Cristo decapitadas.
Líderes católicos acusam as estatísticas policiais de ocultarem a motivação religiosa, uma vez que muitas ocorrências são registradas apenas como danos patrimoniais. Para eles, trata-se de crimes de ódio anticristãos subnotificados.
Preocupação europeia ampliada
O alerta alemão coincide com mobilização de entidades cristãs no continente. No Dia Internacional em Memória das Vítimas de Atos de Violência Baseados em Religião ou Crença, celebrado em 22 de agosto, o Observatório sobre Intolerância e Discriminação contra Cristãos na Europa (OIDAC Europa) e o Escritório de Instituições Democráticas e Direitos Humanos da OSCE (ODIHR) pediram que governos reconheçam e combatam esse tipo de crime.
Na semana passada, a OSCE lançou um novo guia sobre crimes de ódio anticristãos, mostrando tendência crescente de hostilidade. O documento destaca que esses delitos costumam ser minimizados, pouco noticiados e ignorados politicamente, além de não ocorrerem “no vácuo”.
Anja Hoffmann, diretora executiva da OIDAC Europa, reforçou a urgência de ações governamentais: “A realidade diária de crimes de ódio anticristãos registrados pela nossa organização evidencia a necessidade de mais pesquisas e medidas concretas. Muitos governos ainda não registram esses crimes adequadamente ou, pior, perpetuam o preconceito”.
A publicação aponta que incidentes normalmente começam com pichações ou vandalismo, podem evoluir para assédio e agressões físicas e, em casos extremos, resultar em homicídio. Entre as recomendações estão:
- melhorar a coleta e documentação de dados;
- ampliar a cooperação entre instituições;
- garantir proteção adicional em celebrações cristãs;
- estimular cobertura midiática precisa, evitando estereótipos.
A Conferência Episcopal Alemã apoia as medidas e pede investigação rigorosa de ataques a estátuas, igrejas, imagens devocionais e objetos litúrgicos em território alemão.
Com informações de Folha Gospel