Dois pastores iranianos foram mortos em 1994 depois de serem rotulados como apóstatas, episódios que, segundo líderes de igrejas domésticas, impulsionaram o atual crescimento do cristianismo entre ex-muçulmanos no país.
Prisões e mortes em 1994
Mehdi Dibaj, ex-muçulmano convertido ao cristianismo, passou quase nove anos detido no Irã por renunciar ao islamismo. Condenado à morte em dezembro de 1993, ele foi libertado em janeiro de 1994 após intensa mobilização internacional, que incluiu campanhas de oração da organização Portas Abertas.
O pastor armênio-iraniano Haik Hovsepian, que divulgou a sentença de Dibaj à imprensa britânica, desapareceu três dias depois da libertação de Dibaj. Onze dias mais tarde, seu corpo foi encontrado com múltiplos golpes de faca no peito. Seis meses depois, Dibaj também foi assassinado a facadas. As famílias dos dois pastores receberam apoio da Portas Abertas.
Relato de despedida
O fundador da Portas Abertas, conhecido como Irmão André, esteve com Haik pouco antes do crime. Segundo ele, o pastor declarou: “Quando eles me matarem, será porque eu falei, não porque fiquei calado”.
Avivamento e reação do governo
Líderes de igrejas domésticas afirmam que os assassinatos marcaram o início de um avivamento cristão no Irã. Mansour Borji, da ONG Article 18, estima que, à época da Revolução Islâmica de 1979, havia no máximo 500 cristãos de origem muçulmana. Hoje, calcula-se entre 500 mil e 1 milhão de convertidos.

Imagem: Canva Pro via folhagospel.com
O governo iraniano considera o avanço do cristianismo uma ameaça. Em outubro de 2010, o líder supremo Aiatolá Ali Khamenei citou em discurso na cidade de Ghom as “igrejas domésticas” como uma das principais formas de infiltração religiosa na sociedade. Após a fala, forças de segurança, em especial os Guardas Revolucionários, intensificaram ações contra convertidos, classificados como inimigos do Estado.
Com informações de Folha Gospel