São Paulo, 29 jan. 2026 — Em artigo publicado nesta quinta-feira (29), o advogado e professor de Direito Constitucional André Marsiglia acusa parte do Supremo Tribunal Federal (STF) de usar o cargo para fins políticos e responsabiliza a grande imprensa por, segundo ele, ter legitimado esses movimentos desde 2019.
No texto intitulado “A velha imprensa que pariu Moraes e Toffoli”, Marsiglia sustenta que o STF “deixou de ser um poder constitucional” quando alguns ministros teriam transformado a Corte em “trampolim para projetos pessoais, empresariais e, em certos casos, ilegais”. O autor cita o Inquérito 4781 — conhecido como das fake news —, aberto em março de 2019, como ponto de partida da escalada que, na visão dele, teria minado garantias constitucionais.
Segundo o advogado, veículos tradicionais viram vantagem em apoiar medidas do tribunal ao defender que as redes sociais seriam “tóxicas” para a democracia. Para Marsiglia, a movimentação teria como pano de fundo o receio da mídia clássica de perder espaço para novos comunicadores digitais, influenciadores e pequenos portais.
O articulista afirma ainda que, sob o argumento de combater a desinformação, foram impostas restrições a comunicadores e canais alternativos alinhados sobretudo à direita e ao bolsonarismo. Ele observa que “parcela relevante do jornalismo brasileiro” seria ideologicamente próxima da esquerda, enquanto empresários de comunicação “rejeitam igualmente a direita” e, por isso, teriam visto no STF um aliado.
Marsiglia escreve que a conivência da imprensa com “ilegalidades” e “abusos” fez com que ministros “aprendessem que podem tudo”. O advogado compara a ausência de reação em 2019 ao atual interesse de grandes veículos pelo caso Banco Master, reforçando que uma postura crítica à época poderia ter contido avanços autoritários.
Para o especialista, um sistema institucional treinado para perseguir jornalistas independentes pode voltar-se contra a própria mídia tradicional, que agora, afirma ele, começa a sofrer “pressões, investigações informais, constrangimentos e silenciamentos”. Marsiglia conclui dizendo que alertas sobre os riscos dessa postura foram ignorados e que o setor jornalístico paga hoje “o preço da cegueira”.
O texto foi originalmente publicado no site Poder360 e reproduzido pelo Pleno.News.
Com informações de Pleno.News