Em texto publicado em 20 de março, o cientista político Lawrence Maximus afirma que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva coloca “interesses ideológicos” acima de alianças estratégicas ao voltar a defender a Declaração de Teerã, acordo sobre urânio fechado em 2010 entre Brasil, Turquia e Irã.
Segundo o autor, durante coletiva concedida em 12 de março, Lula mencionou novamente os termos do pacto que previa a troca de material nuclear iraniano por combustível enriquecido fora do país persa. Para Maximus, a postura do chefe do Executivo sinaliza proximidade com Teerã e representa risco para a credibilidade brasileira no exterior.
O artigo lembra que, em 18 de março, o chanceler Mauro Vieira participou de audiência na Câmara dos Deputados e defendeu que a Declaração de Teerã poderia ter evitado a atual escalada de tensão envolvendo o programa nuclear iraniano. O ministro disse que o documento, articulado conjuntamente por Brasil e Turquia, teria limitado o estoque de urânio enriquecido do Irã.
Maximus cita ainda telegramas diplomáticos divulgados pelo WikiLeaks. De acordo com esses registros, diplomatas norte-americanos avaliaram que, à época, o então chanceler Celso Amorim atuou para dificultar negociações conduzidas por Washington no Oriente Médio, buscando formar uma frente de resistência aos Estados Unidos.
No texto, o cientista político sustenta que a retomada da discussão sobre a Declaração de Teerã revela, em sua visão, uma “aliança tácita” do governo brasileiro com regimes autoritários, em especial o iraniano. Ele classifica o movimento como ameaça à soberania nacional e à tradição diplomática do país.
Lawrence Maximus é mestre em Ciência Política, professor e analista de Oriente Médio. O artigo reflete exclusivamente a opinião do autor.
Com informações de Pleno.News