O número de evangélicos que recorrem às plataformas de apostas esportivas online deu um salto em 2025. Dados do instituto PoderData indicam que 41% dos fiéis desse segmento relataram ter apostado neste ano, contra 29% registrados em 2024. Entre os católicos, o crescimento também foi expressivo: de 22% para 34% no mesmo período.
Alerta duplo: bolso e fé
O aumento preocupa líderes religiosos e especialistas tanto pelo impacto financeiro quanto pelos reflexos espirituais. “A cobiça ganha espaço e a confiança em Deus é substituída pela expectativa de lucro fácil. Muitos começam com valores pequenos e acabam presos a um ciclo de vício”, afirma o pastor Bruno Caetano Simplício, presidente da Igreja Batista Atitude no Espírito Santo.
O religioso acrescenta que as consequências alcançam a dinâmica familiar: “Problemas de orçamento, discussões conjugais e distanciamento emocional tornaram-se comuns. Esse rastro de destruição confirma o alerta bíblico de que o inimigo vem para roubar, matar e destruir”.
Dívidas em alta
A sondagem reforça a dimensão econômica do problema. A fatia de endividados por causa das apostas praticamente dobrou em 11 meses, passando de 16% em outubro de 2024 para 35% em setembro de 2025.
O levantamento identificou ainda diferenças de comportamento entre eleitores: 42% dos entrevistados que votaram em Luiz Inácio Lula da Silva disseram apostar, ante 30% que declararam voto em Jair Bolsonaro.
Metodologia
O PoderData entrevistou 2.500 pessoas por telefone entre 27 e 29 de setembro de 2025, em 178 municípios. O sistema utilizado foi URA (Unidade de Resposta Audível) e a margem de erro é de dois pontos percentuais.
Consequências clínicas
Estudos publicados na revista The Lancet Psychiatry mostram que o vício em jogos online altera áreas cerebrais ligadas à tomada de decisão, às emoções e ao sistema nervoso autônomo. Pesquisas também indicam liberação elevada de dopamina, aumentando a sensação de recompensa e dificultando a interrupção do hábito.
A psicóloga Julyanna Cardoso destaca a importância de apoio profissional: “Intervenções de psicólogos e psiquiatras fornecem estratégias para lidar com a ansiedade, além de ferramentas que ajudam a superar a compulsão. Divulgar os riscos e oferecer opções de lazer saudáveis é fundamental na prevenção”.
Nove passos para largar o jogo
- Reconhecer o problema e seus prejuízos.
- Bloquear o acesso a sites e aplicativos de apostas.
- Evitar situações, grupos ou perfis que incentivem o jogo.
- Preencher o tempo livre com atividades como esportes, leitura ou voluntariado.
- Reorganizar as finanças, definindo metas de economia e quitação de dívidas.
- Buscar apoio de familiares, amigos ou grupos anônimos especializados.
- Recorrer a psicólogos ou psiquiatras para controle de impulsos.
- Fortalecer a vida espiritual com oração e leitura bíblica.
- Comemorar cada período livre de apostas como conquista.
Para o pastor Simplício, a popularização das apostas evidencia uma lacuna de formação nas igrejas. “Falta ensino bíblico consistente sobre contentamento, administração de recursos e o valor do trabalho honesto”, avalia.
Com informações de Folha Gospel