São Paulo, 11 de fevereiro de 2026 – O advogado e professor de Direito Constitucional André Marsiglia afirmou que os blocos de rua da capital paulista precisam ser transferidos para espaços fechados depois do tumulto registrado no último sábado (7) na Rua da Consolação. Segundo ele, a via recebeu cerca de 1,5 milhão de foliões, número que, na avaliação do jurista, ultrapassa a capacidade das ruas da cidade.
Marsiglia descreveu o episódio como um “engavetamento de blocos”, no qual dois grupos carnavalescos se encontraram na mesma via, resultando em grande aglomeração de pessoas exaustas e prensadas. O advogado classificou a cena como recorrente nos carnavais paulistanos e alertou para o “risco real” de acidentes graves.
Para o autor, a presença de multidões em áreas residenciais e comerciais provoca transtornos: moradores enfrentam barulho constante, lojas fecham as portas e o trânsito fica paralisado. Ele citou ainda a proximidade de hospitais como fator que agrava a necessidade de controle.
O jurista usou o exemplo histórico do Rio de Janeiro, onde blocos evoluíram para as escolas de samba que desfilam em sambódromo, defendendo solução semelhante em São Paulo. Entre os locais sugeridos, apontou o Anhembi e o Autódromo de Interlagos como espaços aptos a receber grandes públicos com estrutura adequada de segurança, logística e planejamento.
Marsiglia também criticou o caráter “popular” atribuído a alguns blocos. De acordo com ele, um dos grupos que se chocou na Consolação era patrocinado por uma marca de cerveja e contou com um DJ escocês, o que, em sua opinião, descaracteriza a tradição carnavalesca brasileira.
O advogado concluiu que a prefeitura só deve manter os desfiles se houver locais próprios e regras claras para garantir segurança. Caso contrário, advertiu, poderá ser necessária uma tragédia para que o poder público adote providências.
Com informações de Pleno.News