O presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, agradeceu nesta segunda-feira, 18 de agosto de 2025, à primeira-dama dos Estados Unidos, Melania Trump, por uma carta enviada ao presidente da Rússia, Vladimir Putin, na qual defende o retorno de crianças ucranianas deportadas.
O gesto de agradecimento ocorreu na Casa Branca, em Washington, durante o início da reunião entre Zelensky e o presidente norte-americano, Donald Trump. O líder ucraniano entregou uma carta de reconhecimento a Trump e declarou: “Muito obrigado à sua esposa, a primeira-dama dos Estados Unidos. Ela enviou uma carta a Putin sobre nossas crianças”. Segundo Zelensky, a correspondência foi entregue por Olena Zelenska, primeira-dama da Ucrânia, diretamente a Melania Trump.
Donald Trump respondeu que Melania “sentiu isso muito profundamente” e classificou o documento como “uma carta muito bonita”, acrescentando que a mensagem foi “bem recebida” pelo presidente russo. O mandatário norte-americano destacou ainda o apreço da primeira-dama pelos jovens: “Ela ama as crianças, tem um filho maravilhoso que provavelmente ama mais do que qualquer um”.
Pedido pelo fim da guerra
A carta de Melania Trump, encaminhada a Putin durante encontro entre os dois na sexta-feira anterior, solicita o fim da guerra e faz um apelo à consciência dos líderes envolvidos, alegando preocupação com o futuro das crianças afetadas pelo conflito.
Mandado de prisão do TPI
Em março de 2023, o Tribunal Penal Internacional (TPI) expediu mandados de prisão contra Vladimir Putin e contra Maria Alekseyevna Lvova-Belova, comissária russa para os Direitos da Criança, por crimes de guerra relacionados à deportação ilegal de mais de 19 mil crianças ucranianas. O tribunal acusa ambos de transferência de menores de áreas ocupadas da Ucrânia para território russo.

Imagem: carta de Melania Trump a Vladimir Putin via gazetadopovo.com.br
A Rússia rejeitou a decisão. À época, a porta-voz do Ministério das Relações Exteriores, Maria Zakharova, afirmou que as determinações do TPI “não têm sentido” para Moscou e alegou que a transferência de crianças visava protegê-las de zonas de conflito.
Números da ONU
Dados da Organização das Nações Unidas (ONU) indicam que, entre 24 de fevereiro de 2022 e 31 de dezembro de 2024, 669 crianças morreram e 1.833 ficaram feridas em decorrência do uso de armas explosivas em áreas povoadas. Do total, 521 mortes e 1.529 feridos ocorreram em regiões controladas pela Ucrânia; já as áreas sob ocupação russa registraram 148 mortes e 304 feridos. Em março deste ano, a ONU condenou o “sofrimento inimaginável” imposto a milhões de crianças ucranianas desde o início da invasão.
Com informações de Gazeta do Povo