O presidente Luiz Inácio Lula da Silva recebeu, na noite de quinta-feira (22), uma ligação do líder chinês Xi Jinping. Durante a conversa, Xi pediu que Brasil e China permaneçam “no lado correto da história” e refutou alegações de que Pequim represente uma ameaça, em meio às discussões provocadas pela participação do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, no Fórum Econômico Mundial em Davos.
Em comunicado divulgado nesta sexta-feira (23), o Ministério das Relações Exteriores da China afirmou que Xi considera o cenário internacional “turbulento” e defende que os dois países, como vozes de destaque do Sul Global, atuem de forma construtiva para proteger a paz, a estabilidade e impulsionar a reforma da governança mundial.
O líder chinês rejeitou “acusações sem fundamento” contra Pequim e classificou a ideia de “ameaça chinesa” como “totalmente infundada”. Ele criticou o uso de pretextos para buscar “benefícios egoístas”, referência indireta aos comentários recentes de Trump e de outros dirigentes ocidentais sobre a atuação da China no Ártico e na Groenlândia.
Xi também ressaltou a importância de salvaguardar os interesses comuns dos países em desenvolvimento, fortalecer o papel central da Organização das Nações Unidas (ONU) e defender a equidade e a justiça no cenário internacional.
Avanços bilaterais e novo Plano Quinquenal
Segundo o comunicado, China e Brasil elevaram, em 2024, a relação bilateral ao nível de “comunidade de futuro compartilhado”, com foco em promover um mundo mais justo e sustentável. Xi destacou que o início do 15º Plano Quinquenal chinês (2026-2030) cria novas oportunidades para ampliar a cooperação econômica, comercial e tecnológica, manifestando disposição para uma parceria “integral e mutuamente benéfica” com Brasília.
Lula, por sua vez, avaliou que a visita de Xi ao Brasil em 2024 impulsionou decisivamente o relacionamento entre os dois países. O presidente brasileiro apontou avanços significativos em diversas áreas e concordou em manter a defesa do multilateralismo e do livre-comércio. Ele também propôs maior coordenação para reforçar a autoridade da ONU, fortalecer a atuação no âmbito dos Brics e contribuir para a estabilidade regional e global.
Contexto de tensões internacionais
A ligação ocorreu após Trump anunciar, em Davos, um pré-acordo com a Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) sobre a Groenlândia e sinalizar mudanças na política externa de Washington, o que gerou apreensão entre parceiros europeus e economias emergentes.
Nos últimos meses, Brasil e China intensificaram o diálogo diplomático em meio a atritos comerciais com os Estados Unidos e a recentes restrições chinesas às importações de carne bovina brasileira. O governo Lula já acertou com Pequim medidas para reduzir o impacto dessas barreiras sobre o setor.
As autoridades dos dois países não divulgaram detalhes adicionais sobre próximos encontros ou iniciativas conjuntas.
Com informações de Gazeta do Povo