NOVA YORK — Os Estados Unidos acusaram nesta terça-feira (24) os governos da China, do Irã e da Coreia do Norte de manterem a Rússia em condições de prosseguir com a invasão à Ucrânia, iniciada há quatro anos. A denúncia foi apresentada pela representante adjunta norte-americana na Organização das Nações Unidas (ONU), Tammy Bruce, durante sessão especial de emergência da Assembleia Geral.
Segundo Bruce, “o conflito continua, apesar dos custos extraordinários já impostos a Moscou, porque terceiros Estados o alimentam”. A diplomata instou todos os países-membros da ONU a interromperem qualquer colaboração que “facilite a continuação desta guerra deplorável”.
China, Irã e Coreia do Norte sob foco
No discurso divulgado pela missão dos EUA na ONU, a representante classificou Pequim como “facilitador decisivo” da indústria bélica russa, citando exportação de bens de uso dual e a manutenção da compra de petróleo russo. “Se a China realmente quer paz, deve cessar imediatamente essas exportações e parar de adquirir petróleo da Rússia”, afirmou.
Bruce também declarou que a Coreia do Norte forneceu munição, mísseis e até tropas a Moscou, em violação a resoluções do próprio Conselho de Segurança da ONU. Quanto ao Irã, a diplomata relatou o envio de drones e tecnologia militar. Ela mencionou ainda Cuba, acusando Havana de despachar efetivos militares e de fechar novos acordos de defesa com a Rússia e com Belarus.
Reação chinesa
O embaixador chinês na ONU, Fu Cong, rechaçou as alegações. Ele garantiu que Pequim “não entregou armas letais a nenhuma das partes” e mantém “controles estritos” sobre a exportação de itens de uso dual. “A China não criou a crise na Ucrânia nem faz parte dela”, ressaltou.
Caminho para um cessar-fogo
Tammy Bruce afirmou que Washington se considera “mais perto de um acordo do que em qualquer outro momento” desde o início da guerra. Ela defendeu um cessar-fogo imediato, mas explicou que os EUA optaram por se abster na votação de uma resolução apresentada na mesma sessão porque parte da redação poderia, segundo avaliou, comprometer negociações em curso.
A reunião ocorreu exatamente quatro anos após as tropas russas cruzarem a fronteira ucraniana, marco lembrado nas discussões que buscaram avanços diplomáticos para encerrar o conflito.
Com informações de Gazeta do Povo