O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, apresentou em 14 de dezembro de 2025 uma nova Estratégia de Segurança Nacional que desloca o foco da política externa norte-americana para a América Latina e reativa princípios da antiga Doutrina Monroe. O plano, segundo a Casa Branca, pretende frear o crime organizado, o narcotráfico, a imigração ilegal e a crescente influência chinesa na região.
A diretriz estabelece que Washington poderá intervir — inclusive com o uso da força — em qualquer país latino-americano considerado ameaça à segurança dos EUA. Analistas apontam que a decisão do governo brasileiro de não classificar as facções PCC e Comando Vermelho como organizações terroristas pode ser interpretada como um obstáculo à cooperação e servir de argumento para pressões ou ações norte-americanas em território nacional.
China sob vigilância
O documento determina monitoramento apertado sobre investimentos chineses em setores estratégicos da região. No caso do Brasil, projetos ligados a tecnologia, energia e minerais raros entram no radar de Washington, o que pode provocar tensões comerciais e diplomáticas.
Postura brasileira
Em resposta inicial, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva adotou discurso de colaboração no combate ao crime transnacional, mas manteve conversas reservadas com o líder venezuelano Nicolás Maduro. A decisão de não rotular facções brasileiras como terroristas é vista por assessores palacianos como forma de evitar justificativas para uma eventual intervenção estrangeira.
Negociações em curso
Brasília tenta reverter um tarifaço de 50% sobre produtos brasileiros e aliviar sanções impostas pelos EUA. Como sinal de distensão, Washington retirou recentemente o ministro Alexandre de Moraes da lista de penalidades prevista na Lei Magnitsky — gesto interpretado pelo Itamaraty como abertura para diálogo, mesmo em meio ao aumento da pressão norte-americana.
A nova diretriz ainda será detalhada pelo Departamento de Estado nas próximas semanas, mas já coloca o Brasil no centro das atenções de Washington enquanto a disputa por influência na América Latina se intensifica.
Com informações de Gazeta do Povo