O Irã atravessa uma fase de incerteza desde a morte do líder supremo, aiatolá Ali Khamenei, atingido em 28 de fevereiro por um ataque coordenado entre Estados Unidos e Israel. A investida, que também eliminou 48 autoridades militares e políticas, abriu um vácuo de poder e expôs disputas internas sobre quem comandará o país.
Larijani assume protagonismo
Figura veterana do regime, Ali Larijani, chefe do Conselho Supremo de Segurança Nacional, emergiu como principal articulador do Estado. Três dias depois do início da guerra, ele criticou abertamente o presidente norte-americano Donald Trump, acusando-o de “mergulhar o Oriente Médio no caos” e descartando qualquer negociação com Washington ou Tel Aviv.
Larijani, 68 anos, integra a cúpula desde a década de 1980, quando ingressou na Guarda Revolucionária Islâmica. Ex-negociador nuclear, ele foi sancionado recentemente por Washington devido ao seu papel na repressão a protestos internos. Embora próximo do falecido Khamenei, não pode assumir formalmente a liderança suprema por não ser clérigo, prerrogativa exigida pelo cargo.
Estrutura de transição
Logo após o anúncio da morte de Khamenei, a agência estatal IRNA informou que a chefia temporária do país ficaria a cargo do presidente iraniano, do chefe do Judiciário e de um jurista do Conselho dos Guardiães. Entre os nomes ainda influentes despontam o chefe do Judiciário, Gholam-Hossein Mohseni-Eje’i; o chefe de gabinete de Khamenei, Ali Asghar Hejazi; o neto do fundador da República Islâmica, Hassan Khomeini; e o filho do líder falecido, Mojtaba Khamenei.
Pressão externa dos Estados Unidos
Em entrevista ao site Axios nesta quinta-feira (5), Donald Trump declarou que pretende influenciar a escolha do novo dirigente iraniano, a exemplo do que, segundo ele, ocorreu na Venezuela com a permanência de Delcy Rodríguez. O republicano descartou Mojtaba Khamenei, definindo-o como “fraco”, e rechaçou a hipótese de o príncipe exilado Reza Pahlavi retornar ao poder, defendendo um nome “popular” que esteja dentro do país.
Investida contra curdos amplia conflito
No sexto dia de guerra, as Forças Armadas iranianas bombardearam posições de grupos curdos no Curdistão iraquiano, depois de reportagens indicarem que Trump teria oferecido “cobertura aérea” e apoio a líderes curdos para desestabilizar Teerã. A Casa Branca, por meio da porta-voz Karoline Leavitt, negou planos de armar a minoria étnica, estimada em 30 milhões de pessoas espalhadas por Turquia, Irã, Iraque e Síria.
Resistência do regime
Para o professor de risco político Eduardo Galvão, do Ibmec Brasília, o colapso imediato do sistema é improvável, já que a República Islâmica se apoia numa “estrutura institucional, militar e ideológica coesa”, especialmente na Guarda Revolucionária. Apesar dos apelos de Trump para que a população iraniana vá às ruas, o regime mostra-se, até agora, apenas abalado.
O futuro da liderança no Irã permanece indefinido, enquanto ataques aéreos e movimentações diplomáticas mantêm o país e a região em estado de alerta.
Com informações de Gazeta do Povo