A Argentina registrou em outubro um novo pico de produção de petróleo bruto, alcançando 859.500 barris por dia e superando o antigo recorde de 847.000 barris, estabelecido em 1998. O avanço é atribuído principalmente ao campo de xisto Vaca Muerta, na Patagônia, que se consolida como motor da indústria energética nacional.
Considerada a segunda maior reserva mundial de gás de xisto e a quarta de petróleo não convencional, Vaca Muerta responde hoje por 60% do petróleo produzido no país, com mais de 515.000 barris diários. Há quatro anos, o volume era de 280.000 barris por dia.
A produção não convencional da bacia de Neuquén cresce em ritmo de 30% ao ano, compensando a retração de 7% observada nos campos convencionais das demais bacias argentinas. O resultado permitiu que, em 2024, a Argentina exportasse mais energia do que importou pela primeira vez em 14 anos.
Dados da revista The Economist indicam que, ainda em 2025, o país deve ultrapassar a Colômbia — que produz cerca de 800 mil barris diários — e assumir a terceira posição entre os maiores produtores de petróleo da América do Sul, atrás apenas de Venezuela (próxima a 1 milhão) e Brasil (mais de 3 milhões).
Estudos citados pela publicação projetam que o segmento de xisto poderá criar entre 250 mil e 500 mil vagas de trabalho até o início da década de 2030.
O governo de Javier Milei impulsionou o setor ao flexibilizar controles cambiais, rever barreiras regulatórias e conceder incentivos fiscais de longo prazo às companhias que operam na região.
Em novembro, Buenos Aires e Brasília assinaram acordo que prevê a venda de gás de Vaca Muerta ao Brasil. Segundo o ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, a previsão é importar até 30 milhões de metros cúbicos diários do combustível argentino até 2030.
Com a combinação de investimentos privados e medidas de estímulo, a joia energética patagônica se consolida como elemento central da estratégia argentina para reverter anos de crise econômica e reforçar a balança comercial do país.
Com informações de Gazeta do Povo