A Câmara de Representantes do Uruguai aprovou nesta quinta-feira, 26 de fevereiro, o tratado de livre-comércio entre a União Europeia (UE) e o Mercosul, tornando o país o primeiro a concluir a ratificação parlamentar do acordo.
A votação ocorreu pouco depois das 12h15 (horário de Brasília), em Montevidéu. Dos 93 deputados presentes, 91 votaram a favor, enquanto apenas dois se abstiveram. O projeto já havia passado pelo Senado uruguaio com apoio unânime.
O governo de coalizão Frente Ampla e as legendas de oposição Partido Nacional, Partido Colorado, Cabildo Abierto e Partido Independente apoiaram o texto. Somente o partido Identidade Soberana manifestou posição contrária.
25 anos de negociação
A UE e o Mercosul assinaram o acordo em 17 de janeiro de 2026, após um processo iniciado há cerca de 25 anos. As conversas foram concluídas em 6 de dezembro de 2024, durante cúpula em Montevidéu que contou com a presença da presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen.
Segundo a Comissão Europeia, o tratado criará um mercado integrado de mais de 700 milhões de pessoas, responsável por cerca de 30% do Produto Interno Bruto mundial e 35% do comércio global.
Andamento nos demais países
No mesmo dia da votação uruguaia, o Senado argentino iniciou debate sobre a proposta. No Brasil, o texto foi aprovado na Câmara dos Deputados na quarta-feira (25) e segue para análise do Senado. Já o governo paraguaio enviou o documento ao Congresso, onde aguarda tramitação.
Do lado europeu, o Parlamento aguarda decisão do Tribunal de Justiça da UE sobre a legalidade do tratado. Ainda assim, a Comissão Europeia pode optar por aplicar provisoriamente os termos do pacto antes da votação final dos eurodeputados.
Com a aprovação no Uruguai, o acordo entra agora na etapa de promulgação presidencial, último passo interno para que o país notifique oficialmente a UE e os demais membros do Mercosul sobre a ratificação.
Com informações de Gazeta do Povo