O Parlamento Europeu decidiu nesta segunda-feira (23/02/2026) interromper o processo de ratificação do acordo comercial firmado em agosto de 2025 entre a União Europeia (UE) e os Estados Unidos. A suspensão ocorre em meio à incerteza gerada pelo julgamento da Suprema Corte dos EUA, que considerou ilegal parte das tarifas impostas pelo presidente Donald Trump.
A Comissão de Comércio do Parlamento pretendia votar o texto na próxima quarta-feira (25), mas quatro dos principais grupos políticos – Partido Popular Europeu, Social-Democratas, Liberais e Verdes – concordaram em adiar a análise até que Washington esclareça os efeitos da decisão judicial sobre o pacto.
Esclarecimentos pendentes
“Precisamos de clareza e segurança jurídica antes de avançar”, afirmou o presidente da Comissão de Comércio, o social-democrata Bernd Lange, em nota divulgada à imprensa.
Desde a assinatura do acordo, a maioria dos produtos europeus que entram nos Estados Unidos paga tarifa de 15%. Em contrapartida, Bruxelas ainda não reduziu a zero o imposto sobre bens industriais americanos, pois o texto depende do aval do Parlamento. A UE quer saber se o governo norte-americano continuará a respeitar sua parte ou se o aumento tarifário anunciado por Trump no fim de semana modificará os termos acertados.
Próximos passos
Os líderes partidários voltarão a se reunir na próxima semana. Caso recebam uma resposta considerada satisfatória de Washington, o Parlamento Europeu poderá colocar a ratificação em votação na sessão plenária de março.
Articulação diplomática
O comissário europeu para o Comércio, Maroš Šefčovič, esteve no Parlamento para discutir o tema após conversar, por videoconferência, com ministros do Comércio do G7 e manter contatos no sábado com o representante comercial dos EUA, Jamieson Greer, e o secretário de Comércio, Howard Lutnick.
“Estabilidade e previsibilidade são prioridades para nossas empresas. Reiterei que o pleno respeito ao acordo UE-EUA é fundamental”, escreveu Šefčovič nas redes sociais. Ele ainda se reunirá com representantes dos Estados-membros nesta tarde para avaliar a situação.
Não há previsão de nova data para a votação enquanto a administração americana não se pronunciar oficialmente sobre a decisão da Suprema Corte e suas eventuais consequências tarifárias.
Com informações de Gazeta do Povo