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Trump anuncia tarifas a países que enviarem petróleo a Cuba e declara emergência nacional

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WASHINGTON, 29.jan.2026 – O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, assinou nesta quinta-feira (29) uma ordem executiva que impõe tarifas sobre produtos de qualquer país que exportar petróleo bruto para Cuba. O documento também declara estado de emergência nacional, sob o argumento de que Havana representa “ameaça direta” à segurança do país.

A medida não especifica a alíquota das futuras sobretaxas. Segundo o texto, o governo cubano “convida adversários perigosos” a instalar bases militares e de inteligência na ilha, abriga o maior centro de espionagem de sinais da Rússia fora do território russo e aprofunda cooperação em defesa com a China.

Trump afirmou ainda que Cuba oferece refúgio a grupos terroristas transnacionais, como Hezbollah e Hamas, e mantém “perseguição, tortura e outras violações de direitos humanos” contra opositores.

Dependência cubana de petróleo estrangeiro

Dados do Financial Times indicam que, em 2025, Cuba recebeu em média 27,9 mil barris diários de petróleo: 12.284 barris/dia do México (44% do total) e 9.528 barris/dia da Venezuela (34%). As remessas mexicanas cresceram 56% em relação a 2024, enquanto as venezuelanas caíram 63% desde 2023.

A empresa de dados Kpler calcula que a ilha dispõe de combustível suficiente para apenas 15 a 20 dias no ritmo atual de consumo e produção própria. Em 2026, Cuba recebeu até agora 84,9 mil barris, todos de um único embarque mexicano em 9 de janeiro, o equivalente a pouco mais de 3 mil barris por dia – nível bem abaixo da média de 37 mil barris/dia de 2025.

Pressão após prisão de Maduro

Depois da captura do ex-ditador venezuelano Nicolás Maduro por forças dos EUA, em 3 de janeiro, Trump declarou que “não haverá mais petróleo venezuelano para Cuba” e instou Havana a negociar com Washington “antes que seja tarde”.

No México, a presidente Claudia Sheinbaum afirmou na quarta-feira (28) que continuará enviando “ajuda humanitária” a Cuba, incluindo petróleo, mas não explicou a suspensão de um carregamento previsto para a semana passada. Agências internacionais noticiaram que o país revisa as exportações temendo retaliações americanas.

Com a nova ordem executiva, na prática, qualquer país que insistir em abastecer a ilha poderá enfrentar tarifas de importação ao entrar no mercado norte-americano, acirrando a crise energética em Havana e ampliando tensões diplomáticas na região.

Com informações de Gazeta do Povo