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Trump suspende repasses e ameaça tarifas após recorde de coca na Colômbia sob governo Petro

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WASHINGTON (20/10/2025) – A relação entre Estados Unidos e Colômbia voltou a se deteriorar depois que o presidente norte-americano, Donald Trump, suspendeu todos os subsídios destinados a Bogotá e ameaçou “fechar” campos de cultivo de coca no país andino. A decisão foi anunciada no domingo (19), um dia após o presidente colombiano, Gustavo Petro, acusar Washington de violar a soberania do país com operações antinarcóticos no Caribe.

Cronologia do confronto

No sábado (18), durante evento público, Petro declarou que “mísseis caem no Caribe como em Gaza sobre lanchas de pessoas que, sejam ou não ativas no tráfico, têm o direito de viver”, classificando a ação militar norte-americana como intervenção externa.

Em resposta, Trump publicou na rede Truth Social que Petro “promove a produção massiva de drogas em grandes e pequenos campos por toda a Colômbia” e determinou o corte imediato de repasses: “A partir de hoje, esses pagamentos não serão mais enviados à Colômbia. Petro é melhor fechar esses campos da morte imediatamente — ou os Estados Unidos os fecharão, e não será de forma agradável”.

Produção de coca em patamar histórico

Relatório do Escritório das Nações Unidas sobre Drogas e Crime (UNODC) aponta que, em 2023, a Colômbia alcançou 253 mil hectares plantados com coca, 10% a mais que no ano anterior e o maior índice em mais de 20 anos. A produção potencial de cocaína subiu 53%, chegando a 2.664 toneladas anuais.

O aumento do cultivo se espalhou por 16 das 19 províncias produtoras, impulsionado por grupos armados e organizações criminosas. Estudo do economista Daniel Mejía estima que o narcotráfico movimente US$ 15,3 bilhões por ano — cerca de 4,2% do PIB colombiano — e afete setores legais como construção e turismo.

Legalização defendida por Petro

Desde que assumiu o cargo em agosto de 2022, Petro vem criticando a política global de proibição às drogas. Em fevereiro, afirmou em reunião ministerial que “a cocaína não é pior que o uísque” e que, se fosse legalizada, seria comercializada “como vinhos”. Em setembro, ao lado do presidente Luiz Inácio Lula da Silva em Manaus, reforçou que a legalização mundial acabaria com a “máfia” da droga.

Escalada diplomática

As declarações desagradaram Washington, que há décadas financia programas antinarcóticos na Colômbia. A bordo do Air Force One, Trump disse a jornalistas que o país “faz drogas, refina drogas, tem fábricas de cocaína” e “não está lutando contra as drogas”.

Nesta segunda-feira (20), Petro reagiu, chamou Trump de “grosseiro e ignorante” e convocou o embaixador colombiano nos EUA, Daniel García-Peña, para consultas em Bogotá. No Congresso americano, o senador republicano Lindsey Graham afirmou que a Casa Branca estuda impor tarifas adicionais a produtos colombianos.

Os dois governos não anunciaram novas reuniões para tratar da crise.

Com informações de Gazeta do Povo