O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, dedicou parte de seu discurso do Estado da União, feito na noite de terça-feira (24), a cobrar a aprovação imediata do Stop Insider Trading Act, projeto que proíbe parlamentares, cônjuges e dependentes de comprarem novas ações individuais enquanto ocuparem cargos públicos.
“Ao mesmo tempo em que garantimos que todos os americanos possam lucrar com um mercado em alta, também vamos assegurar que membros do Congresso não possam se beneficiar de forma corrupta usando informações internas. Aprovem o Stop Insider Trading Act sem demora”, declarou o presidente diante do plenário.
Reação incomum do lado democrata
A menção ao texto – apresentado em janeiro pelo deputado republicano Bryan Steil, já aprovado em comissão e à espera de votação no plenário da Câmara – provocou um raro momento de apoio entre parlamentares democratas. A senadora Elizabeth Warren, voz destacada da ala progressista que defende restrições severas a investimentos de congressistas, levantou-se para aplaudir o chefe do Executivo. Outros correligionários repetiram o gesto.
Surpreso, Trump reagiu com ironia: “Eles se levantaram por isso – não acredito. Nancy Pelosi se levantou?”, perguntou, antes de acrescentar: “Duvido”.
Pelosi no centro da controvérsia
A fala atingiu diretamente a ex-presidente da Câmara Nancy Pelosi, presente à sessão. Republicanos acusam o marido dela, Paul Pelosi, de lucrar com negociações na bolsa realizadas pouco antes de votações sensíveis sobre setores como tecnologia e semicondutores. Em diversas ocasiões, ações adquiridas por Paul se valorizaram após anúncios ou aprovações legislativas, o que, segundo críticos, sugere uso indevido de informação privilegiada.
Nancy Pelosi nega irregularidades. A fortuna do casal é estimada em mais de US$ 200 milhões. A democrata informou no ano passado que não disputará novas eleições e pretende se aposentar da vida pública.
Com informações de Gazeta do Povo