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Trump mira Peru, Colômbia e Brasil e aumenta tensão para eleições de 2026

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WASHINGTON, 28 dez. 2025 – A Casa Branca já direciona seus holofotes para as urnas de 2026 na América do Sul, quando Peru, Colômbia e Brasil realizarão eleições presidenciais capazes de alterar o atual empate ideológico no subcontinente. Hoje, seis governos são de esquerda (Brasil, Venezuela, Colômbia, Guiana, Suriname e Uruguai) e seis de direita (Argentina, Paraguai, Equador, Bolívia, Peru e Chile, este último já contando a posse de José Antonio Kast em março).

Agenda eleitoral

A série de votações começa em abril, no Peru; segue em maio, na Colômbia; e termina em outubro, no Brasil. O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, sinalizou que dedicará “atenção especial” a esses pleitos após incluir a América Latina como prioridade na nova doutrina de segurança nacional.

Colômbia sob pressão

No país andino, o presidente Gustavo Petro está impedido de concorrer à reeleição. O Pacto Histórico lançará o senador Iván Cepeda, que enfrentará a senadora Paloma Valencia, escolhida pelo Centro Democrático, legenda do ex-presidente Álvaro Uribe. Em outubro deste ano, Trump impôs sanções econômicas contra Petro, sua esposa Veronica Alcocer, o filho mais velho e um ministro, acusando o governo de permitir a expansão de cartéis de drogas. Um mês antes, o Departamento de Estado cancelara o visto do mandatário após um protesto pró-Palestina em Nova York.

Trump chamou Petro de “traficante” e afirmou que, após Nicolás Maduro, o presidente colombiano seria o próximo alvo dos EUA no combate ao narcotráfico. Washington também suspendeu ajuda financeira ao país e deve atuar contra a candidatura de Cepeda.

Brasil: tarifas, aproximação e incertezas

No Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva tentará o quarto mandato, enquanto o ex-presidente Jair Bolsonaro indica o filho, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), como nome da direita. Em 2025, Trump aplicou tarifa de 50% sobre importações brasileiras, alegando “ameaça à segurança nacional” e citando o julgamento de Bolsonaro no Supremo Tribunal Federal.

O clima azedou, mas começou a mudar após um encontro informal de Lula e Trump durante a Assembleia Geral da ONU, em setembro, em Nova York, seguido de nova conversa presencial em Kuala Lumpur, na Malásia, em outubro. Em novembro, a Casa Branca retirou a sobretaxa para carnes, café e outros produtos agrícolas, embora 22% das exportações brasileiras aos EUA ainda estejam taxadas, segundo o vice-presidente Geraldo Alckmin.

O governo americano justificou parte da flexibilização apontando a aprovação, no Congresso brasileiro, do projeto de lei da dosimetria — texto visto como possível benefício a Bolsonaro. A mesma justificativa foi usada para retirar das sanções os nomes do ministro do STF Alexandre de Moraes, do Instituto Lex e de Viviane Barci de Moraes. Lula, porém, promete vetar o projeto, o que pode comprometer a recente “química” com Trump.

Peru e o fim de um ciclo conturbado

O Peru encerra outro período de instabilidade após os impeachments de Pedro Castillo e Dina Boluarte. O presidente interino é o conservador José Jerí, ex-líder do Congresso. Entre os pré-candidatos mais conhecidos para abril de 2026 estão o ex-prefeito de Lima Rafael López Aliaga e Keiko Fujimori, que fará sua quarta tentativa de chegar ao Palácio Pizarro.

Recado de 2025

A disposição de Washington para influenciar eleições ficou clara neste ano, quando Trump ameaçou cortar ajuda à Argentina e a Honduras caso, respectivamente, o partido de Javier Milei não vencesse as legislativas de outubro e Nasry Tito Asfura não triunfasse na sucessão hondurenha. Ambos obtiveram as vitórias desejadas pelos EUA.

Doutrina batizada de “Corolário Trump”

Para Leo Braga, professor de Relações Internacionais da Faculdade Presbiteriana Mackenzie Rio, a política externa norte-americana deixou de tratar a América do Sul como região periférica. “A nova postura, mais assertiva e ideologizada, busca conter a China e retoma a lógica da Doutrina Monroe do século XIX”, afirma. O estudioso diz que essa linha, apelidada de “Corolário Trump”, antecipa disputas “altamente internacionalizadas” em 2026.

Com os EUA prometendo vigilância inédita, as eleições de Peru, Colômbia e Brasil tendem a se transformar em novos capítulos da disputa geopolítica no hemisfério.

Com informações de Gazeta do Povo