O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, declarou nesta sábado (3) que Washington assumirá a administração da Venezuela “até que um novo presidente possa tomar posse”. O anúncio foi feito em Mar-a-Lago, na Flórida, durante pronunciamento no qual o republicano celebrou a ofensiva militar norte-americana que resultou na captura de Nicolás Maduro e de sua esposa, Cilia Flores.
Transição sob comando de Marco Rubio
Segundo Trump, uma equipe liderada pelo secretário de Estado, Marco Rubio, será responsável por conduzir a transição de poder em Caracas. O presidente afirmou que as Forças Armadas dos EUA permanecem prontas para uma “segunda onda de ataques, muito maior”, caso considere necessário para garantir a estabilidade no país sul-americano.
“Dominância dos EUA não será mais questionada”
O discurso teve tom de exaltação patriótica. Trump comparou a operação na Venezuela às ações que resultaram na morte do iraniano Qassem Soleimani (2020) e do iraquiano Abu Bakr al-Baghdadi (2019). Ele também mencionou o recuo no Afeganistão, realizado na gestão do democrata Joe Biden, como exemplo do que, segundo ele, não voltará a ocorrer. “A dominância dos EUA nunca mais será questionada”, afirmou.
O republicano ainda advertiu outros líderes que, de acordo com ele, financiam o terrorismo ou o narcotráfico, citando nominalmente o presidente colombiano Gustavo Petro. “O que aconteceu com Maduro pode acontecer com qualquer ditador ou terrorista”, disse.
Sem baixas norte-americanas
Trump informou que nenhum militar dos EUA morreu e que nenhum equipamento foi danificado na ofensiva, classificada por ele como a maior desde a Segunda Guerra Mundial.
Acusação de narcoterrorismo contra Maduro
Horas antes do pronunciamento, um juiz do Tribunal Federal do Distrito Sul de Nova York retirou o sigilo de uma nova acusação contra Maduro. O documento amplia a denúncia apresentada em 2020, apontando o venezuelano como líder do Cartel de los Soles, grupo formado por oficiais de alta patente cuja insígnia traz sóis.
De acordo com a promotoria, o cartel utilizou, por mais de duas décadas, a estrutura estatal venezuelana para mover entre 200 e 250 toneladas de cocaína por ano com destino aos Estados Unidos, com o objetivo de “inundar e desestabilizar” o país. A recompensa por informações que levem à captura de Maduro foi elevada para US$ 50 milhões em setembro de 2025.
O caso está sob responsabilidade do juiz Alvin K. Hellerstein. Se condenado, Maduro pode pegar prisão perpétua, a exemplo de outros ex-chefes de Estado latino-americanos processados na Justiça norte-americana, como Manuel Noriega (Panamá) e Juan Orlando Hernández (Honduras).
Com informações de Gazeta do Povo