O presidente Donald Trump afirmou, na noite de terça-feira (24), que os Estados Unidos atravessam “uma era de ouro” e exaltou avanços econômicos, militares e no controle de fronteiras ao fazer seu primeiro discurso do Estado da União no segundo mandato, diante do Congresso em Washington.
Logo no início da fala de 1 hora e 39 minutos – a mais longa do republicano perante parlamentares – Trump declarou ter recebido do antecessor democrata Joe Biden “um país em crise”, com “inflação elevada, fronteiras abertas e instabilidade internacional”. Segundo ele, em poucos meses sua administração promoveu “mudança estrutural” que recolocou a nação “maior, melhor, mais rica e mais forte do que nunca”.
Crítica à Suprema Corte e defesa das tarifas
Quatro dias antes do discurso, a Suprema Corte derrubou tarifas impostas por Trump com base em lei de emergência nacional. O presidente considerou o veredito “muito infeliz”, mas garantiu que acordos fechados enquanto as taxas vigiam permanecem válidos e reiterou que os EUA “continuarão defendendo seus interesses econômicos”.
Inflação e “guerra contra a fraude”
Trump responsabilizou Biden pela “pior inflação da história” e disse ter reduzido a inflação núcleo “ao menor patamar em mais de cinco anos” em 12 meses. Anunciou ainda, oficialmente, a “guerra contra a fraude”, liderada pelo vice-presidente J.D. Vance, citando suspeita de desvio de US$ 19 bilhões envolvendo membros da comunidade somali em Minnesota.
Imigração e segurança interna
O republicano afirmou que os EUA possuem agora “a fronteira mais forte e segura” da história. Relatou que, nos últimos nove meses, “zero imigrantes ilegais” foram admitidos, enquanto o fluxo de fentanil caiu 56% e a taxa de homicídios registrou “a maior queda em 125 anos”.
Trump defendeu operações do Serviço de Imigração e Controle de Alfândega (ICE) e criticou democratas por condicionarem a reabertura do Departamento de Segurança Interna a restrições sobre a agência migratória. “Deveriam se envergonhar”, disse.
Ele também pediu a aprovação do SAVE America Act, que já passou na Câmara e obriga apresentação de documento oficial e comprovação de cidadania para votar, acusando os democratas de tentarem “roubar as eleições”. O presidente reforçou apoio a projeto que proíbe escolas de adotarem políticas de transição de gênero sem consentimento dos pais.
Política externa: Ucrânia, Oriente Médio, Irã e Venezuela
Trump lembrou ter encerrado “oito guerras” e insistiu que a invasão russa da Ucrânia “nunca teria ocorrido” sob sua liderança. Disse trabalhar para pôr fim ao conflito, que completa quatro anos, e estimou 25 mil mortes de soldados por mês.
No Oriente Médio, destacou cessar-fogo negociado por Washington entre Israel e Hamas, com “todos os reféns devolvidos”. Sobre o Irã, celebrou a Operação “Martelo da Meia-Noite”, que atingiu instalações nucleares de Natanz, Fordow e Isfahan, e assegurou: “Nunca permitirei que o maior patrocinador do terrorismo tenha uma arma nuclear”.
O presidente também mencionou a operação de janeiro que capturou o ex-ditador venezuelano Nicolás Maduro, qualificada como “vitória colossal”. Apresentou no plenário a venezuelana Alejandra Gonzalez, reunida com o tio libertado das prisões chavistas, e homenageou o suboficial-chefe Eric Slover, piloto da missão.
Combate aos cartéis e ao narcotráfico
Trump recordou ter rotulado cartéis mexicanos como Organizações Terroristas Estrangeiras e classificado o fentanil ilícito como arma de destruição em massa. Disse que, graças à campanha militar em curso no Caribe e na América Latina, o fluxo de drogas “foi drasticamente reduzido” por terra e por mar.
O discurso encerrou-se sob aplausos depois de estabelecer novo recorde pessoal de duração diante do Congresso.
Com informações de Gazeta do Povo