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Trump lança “Conselho da Paz” e admite que órgão pode substituir a ONU

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O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou na terça-feira (20) que o recém-criado Conselho da Paz poderá, no futuro, assumir o papel hoje exercido pela Organização das Nações Unidas (ONU) na mediação de conflitos internacionais. O comentário foi feito durante entrevista coletiva na Casa Branca, quando Trump declarou que a ONU “nunca ajudou” a resolver as guerras encerradas por seu governo desde o início do segundo mandato.

“Eu gostaria que não precisássemos de um Conselho da Paz. Com todas as guerras que eu resolvi, as Nações Unidas nunca me ajudaram em nenhuma”, disse o presidente. Questionado sobre o alcance do novo órgão, completou: “Talvez ele possa substituir a ONU”.

Estrutura e funcionamento

Anunciado oficialmente nesta quinta-feira (22) no Fórum Econômico Mundial, em Davos, na Suíça, o Conselho da Paz foi pensado, inicialmente, para supervisionar a reconstrução da Faixa de Gaza após mais de dois anos de conflito entre Israel e o grupo Hamas. O estatuto, entretanto, concede mandato amplo para atuar em outras crises globais.

De acordo com a Casa Branca, Trump presidirá o conselho com poder de decisão final sobre propostas e resoluções. O cargo poderá ser ocupado de forma vitalícia ou até renúncia do titular; quando isso ocorrer, caberá ao presidente dos EUA indicar o sucessor norte-americano.

O texto prevê ainda que resoluções entrem em vigor imediatamente, sujeitas a veto posterior do presidente do órgão.

Participação dos países

Washington enviou convites a diversos governos. Já confirmaram presença Hungria, Argentina, Belarus, Vietnã, Marrocos, Emirados Árabes Unidos, Paraguai, Egito, Israel e Turquia. Rússia, China, Brasil, Canadá, Alemanha, Austrália e Índia analisam os termos.

O estatuto prevê assentos permanentes mediante pagamento de US$ 1 bilhão. Sem a contribuição, os países participam por três anos. Segundo um funcionário da Casa Branca, o aporte é voluntário e não implica obrigação financeira adicional.

Recusa europeia e reação de Trump

França e Noruega rejeitaram o convite. Diplomatas franceses alegam preocupação com o respeito à estrutura da ONU, sobretudo ao Conselho de Segurança. Em resposta, Trump ameaçou impor tarifas de 200% sobre vinhos e champanhes franceses.

O chanceler da Bélgica, Maxime Prévot, declarou à Euronews que o presidente norte-americano busca “substituir o sistema das Nações Unidas por um conselho sob controle pessoal”. Já o chanceler austríaco, Christian Stocker, descreveu o órgão como “paralelo” à ONU, mas disse que Viena ainda avalia o convite.

Críticas de especialistas

Para Maya Ungar, analista do International Crisis Group, o conselho concentra “poder excessivo” nos Estados Unidos, reduzindo espaço para diálogo entre grandes potências. O doutor em Relações Internacionais Igor Lucena avaliou que o projeto nasce com “fragilidades estruturais” ao funcionar como “uma ONU personalizada” sob liderança direta de Trump.

Durante o lançamento em Davos, Trump afirmou que “todos querem fazer parte” da iniciativa e garantiu que o novo organismo “atuará em cooperação com as Nações Unidas”.

Com informações de Gazeta do Povo