WASHINGTON — O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou nesta terça-feira, 20 de janeiro de 2026, que o Conselho da Paz, órgão que criou há um ano, tem condições de assumir as funções hoje desempenhadas pela Organização das Nações Unidas (ONU).
“Eu gostaria que não precisássemos de um Conselho da Paz”, declarou o republicano em entrevista coletiva na Casa Branca. “Com todas as guerras que resolvi, a ONU jamais me ajudou em nenhuma delas.” Segundo a emissora CNN, Trump acrescentou que o novo colegiado “talvez possa substituir as Nações Unidas”.
O presidente alega ter intermediado o fim de oito conflitos desde o início de seu segundo mandato, completado exatamente nesta data. Para compor o Conselho da Paz, ele vem convidando líderes estrangeiros, entre eles o presidente brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
Primeira missão: reconstrução de Gaza
Numa etapa inicial, o grupo deverá supervisionar a reconstrução da Faixa de Gaza, devastada por mais de dois anos de guerra entre Israel e o Hamas. Trump, contudo, quer que o conselho atue também na mediação de outras crises internacionais.
Noruega e França já informaram que não participarão da iniciativa. Paris justificou a decisão alegando receio de que o Conselho da Paz se transforme numa alternativa formal à ONU. Em resposta, Trump ameaçou impor tarifa de 200% sobre vinhos e champanhes franceses.
Desconfiança em relação à Otan
Na mesma coletiva, o presidente voltou a questionar o compromisso dos parceiros europeus com o Artigo 5º da Otan, que prevê defesa mútua em caso de agressão. “Fiz mais pela Otan do que qualquer outra pessoa, viva ou morta”, disse. “Gastamos quantias enormes de dinheiro e eu sei que iríamos em seu auxílio, mas realmente questiono se eles viriam em nosso auxílio.”
O artigo de defesa coletiva foi acionado apenas uma vez, após os atentados de 11 de setembro de 2001, quando aliados enviaram tropas ao Afeganistão.
Trump também voltou a criticar posições europeias contrárias a seu plano de anexar a Groenlândia, tema que tem provocado tensão com vários governos do continente.
Até o momento, o governo norte-americano não informou a data da primeira reunião oficial do Conselho da Paz nem divulgou a lista completa de países que aceitaram o convite para participar do órgão.
Com informações de Gazeta do Povo