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Trump cogita importar carne argentina para reduzir custos nos Estados Unidos

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WASHINGTON, 19.out.2025 — O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou neste domingo (19) que estuda autorizar a compra de carne bovina da Argentina com o objetivo de derrubar os preços do produto no mercado norte-americano.

A declaração foi feita a jornalistas a bordo do Air Force One, durante viagem de retorno a Washington. “Poderíamos comprar um pouco de carne da Argentina. Se fizéssemos isso, os preços cairiam”, disse Trump, acrescentando que a medida também ajudaria “um grande aliado”, em referência ao país sul-americano.

O chefe da Casa Branca já havia adiantado na sexta-feira (17) que sua equipe prepara um acordo para conter a escalada de preços da carne, que atingiram níveis recordes após a redução de rebanhos provocada por secas no oeste dos EUA.

Encontro com Milei e apoio condicionado

As declarações ocorrem poucos dias depois de Trump receber o presidente argentino, Javier Milei, na Casa Branca, na terça-feira (14). Na ocasião, o republicano manifestou apoio total ao líder libertário, mas condicionou a continuidade da ajuda financeira norte-americana à manutenção de Milei e do partido A Liberdade Avança no comando do país.

“A Argentina não tem dinheiro, estão lutando para sobreviver. Se eu puder ajudá-los… O presidente argentino está fazendo o melhor que pode, mas eles estão morrendo”, afirmou Trump neste domingo.

Swap cambial de US$ 20 bilhões

Nesta segunda-feira (20), o Banco Central da República Argentina (BCRA) confirmou a assinatura de um acordo de estabilização cambial de até US$ 20 bilhões com o Departamento do Tesouro dos EUA. O instrumento permitirá operações bilaterais de swap que reforçam as reservas internacionais argentinas e ampliam as ferramentas de política monetária.

Segundo comunicado do BCRA, o objetivo é “contribuir para a estabilidade macroeconômica da Argentina, com ênfase especial na preservação da estabilidade de preços e na promoção de um crescimento econômico sustentável”. O anúncio ocorre a menos de uma semana das eleições legislativas de 26 de outubro, consideradas decisivas para o governo Milei.

Pressionada por dificuldades para acumular reservas e por um esquema cambial considerado inconsistente, a Argentina enfrenta forte volatilidade desde meados do ano. A promessa de apoio de Washington foi decisiva para a estratégia do presidente argentino de sustentar o valor do peso, mesmo à custa da perda de bilhões de dólares em reservas.

Trump, no entanto, reiterou que a liberação dos recursos estará vinculada ao desempenho eleitoral de Milei. “Nossa generosidade depende da continuidade das reformas”, disse o presidente norte-americano na semana passada.

Enquanto aguarda o resultado das urnas, a Casa Branca avalia a compra emergencial de carne argentina como medida para amenizar a inflação nos Estados Unidos e, simultaneamente, injetar divisas na economia do aliado sul-americano.

Com informações de Gazeta do Povo