Washington / Cidade do México – O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, voltou a pressionar o governo mexicano nesta segunda-feira (23) para intensificar o combate aos cartéis de drogas, um dia depois da morte de Nemesio Oseguera Cervantes, o “El Mencho”, chefe do Cartel Jalisco Nova Geração (CJNG).
Em publicação na rede Truth Social, Trump afirmou que “o México precisa intensificar seus esforços contra os cartéis e as drogas”, ecoando declarações feitas desde o ano passado, quando Washington lançou uma operação específica contra o narcotráfico que abastece o mercado norte-americano. O republicano citou entrevista do ex-administrador interino da DEA, Derek Maltz, à Fox News, na qual o especialista classificou a situação no México como “catastrófica” e um “alerta para o mundo”.
Recompensa de US$ 15 milhões
O governo norte-americano mantinha recompensa de até US$ 15 milhões por informações que levassem à captura ou condenação de El Mencho, acusado de comandar um “reinado de terror” e de fomentar o tráfico de fentanil que destrói “incontáveis vidas”, segundo a DEA.
Operação e confrontos
A morte do líder do CJNG resultou de uma ação conjunta das Forças Armadas mexicanas e da Guarda Nacional, apoiada por dados de inteligência fornecidos pelos EUA. De acordo com o secretário de Segurança e Proteção Cidadã do México, Omar García Harfuch, 25 agentes da Guarda Nacional foram mortos no domingo (22) durante confrontos em diversos estados. Pelo menos 30 integrantes do cartel também morreram.
No total, as autoridades registraram 27 ataques contra forças de segurança: seis em Jalisco, onde 25 soldados, um agente penitenciário e um funcionário da Promotoria estadual perderam a vida, e 15 em Michoacán, com saldo de 15 policiais estaduais e municipais feridos.
Como El Mencho foi localizado
Segundo o governo mexicano, a operação começou após meses de monitoramento de uma parceira do traficante. Na sexta-feira (20), El Mencho foi localizado em uma propriedade na cidade de Tapalpa, reduto histórico do CJNG em Jalisco. Quando a companheira deixou o local, as autoridades decidiram avançar.
O Exército liderou a incursão, que contou com apoio aéreo de seis helicópteros e várias aeronaves. Ao perceber a aproximação das tropas, o grupo de segurança do narcotraficante abriu fogo. Oito criminosos morreram nessa primeira troca de tiros e três militares ficaram feridos.
O chefe do cartel e seus guarda-costas fugiram para uma área de mata, onde houve novo confronto. Um helicóptero do Exército foi atingido e precisou fazer pouso de emergência. Após a segunda ofensiva, El Mencho e dois escoltas ficaram gravemente feridos. Entre o armamento apreendido estavam lançadores de foguetes RPG de fabricação russa, similares aos usados na derrubada de um helicóptero militar em 2015.
O traficante foi levado a um centro médico em Morelia, no estado vizinho de Michoacán, mas morreu antes de chegar ao hospital, informou o general Trevilla.
Com informações de Gazeta do Povo