O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, elevou o tom e a intensidade de operações militares depois que o Prêmio Nobel da Paz de 2025 foi concedido, em 10 de outubro, à opositora venezuelana María Corina Machado. A Casa Branca admitiu incômodo com a decisão: naquele mesmo dia, o diretor de Comunicações, Steven Cheung, escreveu na rede X que o comitê “prioriza política acima da paz” por não premiar o presidente.
Escalada após 10 de outubro
Antes do anúncio do Nobel, Trump já havia ordenado bombardeios a posições dos houthis no Iêmen (março), ataques a instalações nucleares do Irã (junho) e o envio da Guarda Nacional para Los Angeles e Washington com fins de segurança interna.
Depois da premiação, a ofensiva se intensificou. Na campanha contra embarcações que Washington liga ao narcotráfico, 15 ataques foram registrados no Caribe e no Pacífico, deixando 64 mortos; 11 dessas ações ocorreram após 10 de outubro.
O presidente também declarou ter autorizado operações letais da CIA na Venezuela e prometeu ações terrestres contra cartéis latino-americanos. Para reforçar a presença na região do Comando Sul, despachou o Grupo de Ataque do porta-aviões Gerald R. Ford — o maior do mundo — e o cruzador de mísseis USS Gettysburg.
Pressão sobre Maduro, Nigéria e China
Em entrevista à CBS no fim de semana, Trump afirmou acreditar que os “dias de Nicolás Maduro estão contados”, sem apresentar detalhes.
No sábado, 1.º de novembro, o republicano advertiu que, se o governo nigeriano “continuar permitindo o assassinato de cristãos”, os EUA suspenderão toda a ajuda ao país e poderão realizar ações militares para “eliminar completamente terroristas islâmicos”. Segundo ele, o Pentágono foi instruído a manter tropas de prontidão.
Questionado sobre uma eventual invasão chinesa a Taiwan, Trump disse não ter tratado do tema com o líder Xi Jinping durante encontro recente na Coreia do Sul, mas afirmou que Pequim “não tentaria a invasão durante meu mandato, porque sabe as consequências”.
Testes nucleares e reação de especialistas
Dias antes dessas declarações, o presidente autorizou os primeiros testes de armas nucleares norte-americanos em 33 anos, chocando a comunidade internacional.
Analistas divergem sobre a guinada. Para Brahma Chellaney, especialista em estudos estratégicos ouvido pelo The Hill, a postura belicosa contradiz a imagem de “pacificador” que Trump tenta projetar. Já o comentarista da Fox News Jonathan Morris comparou a estratégia atual ao conceito de “paz por meio da força” atribuído ao ex-presidente Ronald Reagan, interpretando a retórica como instrumento de pressão, não necessariamente prelúdio de grandes intervenções.
Trump, que se descreve em publicações na Truth Social como “o presidente da paz”, enfrenta agora questionamentos sobre a direção de sua política externa e sobre até onde pretende avançar nas frentes venezuelana, nigeriana e asiática.
Com informações de Gazeta do Povo