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Ameaça de Trump de deixar a Otan ganha força após aliados recusarem apoio na guerra contra o Irã

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Washington – O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, voltou a colocar em xeque a permanência do país na Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) depois que principais parceiros europeus se recusaram a apoiar a ofensiva militar americana e israelense contra o Irã.

Na sexta-feira, 27 de março de 2026, Trump criticou publicamente a aliança ao afirmar que “gasta centenas de bilhões de dólares por ano protegendo” os europeus e, em troca, não recebeu o respaldo considerado essencial para a operação no Oriente Médio. “Acho que não precisamos estar mais na Otan”, declarou.

O tom foi reforçado nesta segunda-feira, 30, pelo secretário de Estado Marco Rubio, que classificou como “muito decepcionante” em entrevista à Al Jazeera a negativa de aliados em permitir o uso de bases e do espaço aéreo para ataques contra alvos iranianos. “Se a Otan serve apenas para que os Estados Unidos defendam a Europa, mas nos nega direitos quando precisamos, esse não é um arranjo muito bom”, disse.

Discordância sobre o alcance do tratado

Paises membros argumentam que o confronto com o Irã não aciona o Artigo 5º, cláusula de defesa coletiva da Otan, por não se tratar de ataque direto a um integrante da aliança. Além disso, afirmam que a operação não foi previamente coordenada por Washington, o que ampliou a resistência a qualquer envolvimento.

Recusa das potências europeias

Reino Unido, França e Alemanha — as três maiores potências militares europeias da Otan — descartaram integrar a coalizão liderada pelos EUA para reabrir o Estreito de Ormuz, rota estratégica para o petróleo. Os governos até sinalizaram disposição em ajudar na segurança da navegação, mas sem participar de ações ofensivas. A decisão levou Trump a chamar os aliados de “covardes” e a prometer que Washington “não esquecerá” a postura adotada.

Espanha vira foco de atrito

A tensão aumentou quando a Espanha, governada pelo premiê socialista Pedro Sánchez, proibiu o uso das bases de Rota e Morón e fechou seu espaço aéreo a aeronaves americanas envolvidas na campanha militar. A Casa Branca reagiu com a ameaça de impor sanções comerciais ao país ibérico.

Resposta da Otan

Apesar da crise, o secretário-geral da aliança, Mark Rutte, afirmou na semana passada que a Otan “segue fortalecida” e destacou o aumento dos investimentos europeus em defesa, impulsionado pela própria pressão de Trump. Segundo Rutte, mais de 30 nações — inclusive algumas de fora do bloco — já se comprometeram a discutir medidas para garantir a reabertura do Estreito de Ormuz, embora ainda não exista decisão sobre participação militar direta da organização.

Com informações de Gazeta do Povo