Washington, 4 mar. 2026 – A negativa do governo espanhol em permitir que os Estados Unidos utilizem as bases militares de Morón e Rota na operação em curso contra o Irã provocou um choque diplomático entre os dois aliados da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan). Na terça-feira (3), o presidente norte-americano Donald Trump ameaçou “cortar todo o comércio” com Madri caso a decisão não seja revertida.
Bases estratégicas
Localizadas na Andaluzia, sul da Espanha, as bases de Morón e Rota servem como pontos logísticos para reabastecimento aéreo, movimentação de tropas e apoio a missões no Mediterrâneo, Norte da África e Golfo Pérsico. A Casa Branca solicitou o acesso às instalações para sustentar os ataques conjuntos de EUA e Israel contra alvos iranianos.
O governo socialista espanhol recusou o pedido alegando que a ofensiva não está respaldada pela Carta das Nações Unidas. “O que deveríamos fazer é desescalar, sentar, negociar e buscar uma saída”, declarou o ministro dos Transportes, Óscar Puente, à TVE.
Ameaça de embargo
Em encontro com o chanceler alemão, Friedrich Merz, Trump declarou ter “o direito de parar tudo” em relação à Espanha. “Embargos. Faço o que quiser com eles, e poderíamos fazer isso com a Espanha”, disse o presidente norte-americano na Casa Branca.
Merz respondeu que eventuais sanções precisariam ser negociadas com a União Europeia, já que Madri integra o bloco. “Quando tratamos de tarifas com os Estados Unidos, fazemos isso juntos ou não fazemos”, afirmou o alemão.
Reação europeia
A Comissão Europeia informou que “protegerá os interesses” do bloco se Washington adotar medidas contra a Espanha. O porta-voz de Comércio, Olof Gill, ressaltou que a relação econômica transatlântica é “profundamente integrada e mutuamente benéfica”.
Da França, o presidente Emmanuel Macron telefonou ao premiê espanhol Pedro Sánchez para manifestar solidariedade. Sánchez resumiu a posição de Madri em três palavras: “não à guerra”.
Pendências na Otan
Trump aproveitou a crise para criticar novamente o fato de a Espanha não ter assumido o compromisso de elevar seus gastos militares a 5% do Produto Interno Bruto (PIB), meta que o republicano defende para todos os membros da aliança.
O secretário do Tesouro dos EUA, Scott Bessent, disse à CNBC que a falta de cooperação espanhola é “inaceitável” porque “qualquer atraso coloca vidas americanas em risco”.
Versões conflitantes
Mais cedo, a porta-voz da Casa Branca, Karoline Leavitt, afirmou que Madri teria concordado em apoiar a operação militar. Horas depois, o ministro espanhol das Relações Exteriores, José Manuel Albares, desmentiu. “Desminto categoricamente. A posição da Espanha não mudou uma vírgula”, declarou à rádio SER.
Com a escalada de acusações, o impasse expõe divergências internas na Otan e pressiona a União Europeia a atuar como mediadora entre Washington e Madri.
Com informações de Gazeta do Povo