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Troca de informações com Moscou põe chanceler húngaro no centro de crise a 20 dias da eleição

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Budapeste – A apenas três semanas da votação parlamentar marcada para 12 de abril, a Hungria enfrenta turbulência política após denúncia de que o ministro das Relações Exteriores, Péter Szijjártó, teria repassado detalhes de reuniões internas da União Europeia ao chefe da diplomacia russa, Sergei Lavrov.

A acusação veio a público em reportagem do jornal The Washington Post, divulgada no fim de semana. Segundo o veículo, Szijjártó compartilhava informações sobre encontros confidenciais do bloco europeu com o colega russo.

Pressão da oposição e alerta de Bruxelas

Péter Magyar, principal adversário do premiê Viktor Orbán na disputa de abril, exigiu investigação imediata. “Se confirmado, configura traição, crime passível de prisão perpétua”, escreveu o candidato do partido Tisza na rede social X na segunda-feira (23).

No mesmo dia, um porta-voz da Comissão Europeia classificou as alegações como “extremamente preocupantes” e cobrou esclarecimentos do governo húngaro, lembrando que a confiança entre Estados-membros é “fundamental para o funcionamento da UE”.

Chanceler admite telefonemas

Durante ato de campanha na cidade de Keszthely, também na segunda-feira, Szijjártó confirmou que manteve conversas telefônicas com Lavrov. “Falo não só com o ministro russo, mas com parceiros americanos, turcos, israelenses, sérvios e outros, antes e depois das reuniões do Conselho Europeu. Diplomacia é dialogar”, argumentou.

Em vídeo publicado nesta terça-feira (24), o chanceler afirmou que as práticas seguidas não violam protocolos de segurança, pois “nenhum segredo é discutido em nível ministerial”.

Orbán e a proximidade com Moscou

No poder desde 2010 (e anteriormente de 1998 a 2002), Viktor Orbán mantém postura de alinhamento ao presidente russo, Vladimir Putin. O líder húngaro já barrou trânsito de armas para a Ucrânia pelo território do país, contestou sanções europeias sobre petróleo e gás de origem russa e resistiu à liberação de pacotes de ajuda financeira a Kiev.

A repercussão do escândalo acrescenta tensão ao pleito em que Orbán busca novo mandato, colocando em foco as relações de seu governo com Moscou em meio à guerra da Rússia contra a Ucrânia.

Com informações de Gazeta do Povo