A trégua de duas semanas firmada entre Estados Unidos e Irã começou nesta quarta-feira (08) sob intensa desconfiança. Menos de 24 horas depois de entrar em vigor, o pacto já sofre acusações de descumprimento e ameaça ruir em razão de ataques relatados em diferentes pontos do Oriente Médio.
Incógnitas sobre o Líbano
Meios de comunicação ligados a Teerã afirmam que o acordo não impediu uma nova ofensiva israelense contra o Líbano, descrita como a maior desde 2024. O episódio levou autoridades iranianas a questionar se o território libanês está contemplado ou não no cessar-fogo. Em entrevista à emissora pública PBS, o presidente norte-americano Donald Trump declarou que o Líbano ficou de fora por causa da atuação do Hezbollah.
Estreito de Hormuz novamente fechado
Em resposta à investida israelense, o governo iraniano anunciou o fechamento do Estreito de Hormuz, rota crucial para o transporte global de petróleo. O Pentágono, porém, sustenta que o corredor permanece “aberto”, conforme previsto na trégua.
Ataques em solo iraniano
A Companhia Nacional de Petróleo Iraniana relatou um bombardeio contra a refinaria da Ilha de Lavan, que provocou incêndio limitado e não comprometeu o abastecimento de combustível. Já a Guarda Revolucionária informou ter abatido um drone Hermes 900 na cidade de Lar, classificando o episódio como “incursão inimiga intolerável”.
Pressão militar e econômica de Washington
Logo nas primeiras horas do cessar-fogo, Trump ameaçou aplicar tarifa de 50% a qualquer país que venda armas ao Irã. Mais tarde, o secretário de Guerra Pete Hegseth exigiu que Teerã entregue “voluntariamente” todo o material nuclear estocado, sob pena de reativação das operações militares norte-americanas.
Região alega novos mísseis iranianos
Emirados Árabes Unidos, Arábia Saudita, Catar e Kuwait disseram ter sido alvo de mísseis e drones iranianos contra usinas de energia e instalações de dessalinização. O Kuwait apontou danos à sua empresa estatal de petróleo.
Mediação paquistanesa e papel da China
País mediador das negociações, o Paquistão confirmou “violações em vários pontos da zona de conflito”. O primeiro-ministro Shehbaz Sharif pediu “moderação total” para preservar a trégua e destacou a “força fundamental” exercida pela China na tentativa de manter o pacto. Diplomatas de todas as partes devem se reunir nos próximos dias em Islamabad em busca de um entendimento mais amplo para encerrar a guerra.
Com informações de Gazeta do Povo