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Trégua de duas semanas revela impasses entre EUA e Irã e põe em xeque acordo definitivo de Trump

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Washington, 8 abr. 2026 — Estados Unidos e Irã iniciaram hoje o segundo dia de um cessar-fogo de duas semanas, acertado para pôr fim ao conflito deflagrado em 28 de fevereiro. A trégua, aceita pela Casa Branca depois de o presidente Donald Trump declarar ter alcançado “objetivos militares”, abre espaço para negociar um pacto de paz permanente, mas as divergências entre os dois governos continuam profundas.

O que levou ao cessar-fogo

O acordo temporário foi anunciado após intensas trocas de ataques no Golfo Pérsico. Segundo Washington, a campanha militar já teria neutralizado ameaças iranianas, permitindo a pausa para diálogo. Teerã, pressionado pelas sanções e pelo impacto econômico da guerra, aceitou interromper as hostilidades, mas mantém sérias reservas quanto às intenções americanas.

Exigências de Washington

A proposta norte-americana reúne 15 pontos centrados na segurança regional. Entre as principais demandas estão:

  • Garantia de que o Irã não desenvolverá armas nucleares;
  • Entrega de todo o urânio enriquecido atualmente estocado;
  • Fim do financiamento a grupos como Hamas e Hezbollah;
  • Reabertura completa do Estreito de Ormuz, rota estratégica para o petróleo mundial.

Condições impostas por Teerã

Do lado iraniano, uma lista de 10 pontos complica as conversas. O regime exige:

  • Suspensão imediata das sanções econômicas;
  • Desbloqueio de ativos iranianos no exterior;
  • Retirada total das tropas dos EUA do Oriente Médio;
  • Pagamento de indenizações pelos danos da ofensiva;
  • Direito de continuar enriquecendo urânio para fins pacíficos.

Diplomatas próximos às negociações consideram algumas dessas condições praticamente inaceitáveis para Washington.

Desconfiança mútua

Décadas de rivalidade reforçam a falta de confiança. Os Estados Unidos temem que o programa nuclear iraniano esconda ambições militares, enquanto Teerã recorda a saída americana de acordos anteriores para justificar o ceticismo. A instabilidade recente também abalou a percepção de segurança dos países do Golfo e afetou investimentos estrangeiros, reduzindo o prestígio dos EUA como parceiro estratégico na região.

Papel de J.D. Vance

Nesta rodada de negociações, o vice-presidente J.D. Vance assumiu o comando dos contatos com os iranianos, após o governo de Teerã recusar conversas com enviados tradicionais de Trump, como Jared Kushner. A mudança de interlocutor sinaliza a tentativa americana de manter canais abertos, embora violações do cessar-fogo registradas nesta quarta-feira (8) confirmem que negociar é apenas o primeiro passo para consolidar a paz.

As tratativas prosseguem em local mantido sob sigilo, com equipes técnicas dos dois países analisando as propostas. Caso não haja avanço até o fim do período de 14 dias, autoridades dos EUA já admitem a possibilidade de retomar ações militares.

Com informações de Gazeta do Povo