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The Economist vê tarifa de 50% e cancelamento de vistos como “agressão chocante” de Trump ao Brasil

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A revista britânica The Economist classificou como uma “agressão chocante” do presidente norte-americano Donald Trump o plano de elevar em 50% as tarifas sobre importações brasileiras e a revogação de vistos de ministros do Supremo Tribunal Federal (STF). Em reportagem publicada nesta sexta-feira, 25 de julho de 2025, a publicação afirma que se trata da maior intervenção dos Estados Unidos na América Latina desde a Guerra Fria.

Segundo a revista, Trump e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva são “adversários ideológicos”, e as medidas adotadas por Washington vêm fortalecendo politicamente o líder brasileiro. O texto relata que a popularidade de Lula, que estava em queda, voltou a subir, com manifestações de apoio em diversas partes do país e episódios em que imagens de Trump foram queimadas em vias públicas.

Gatilho seria a cúpula dos Brics

A reportagem aponta a cúpula dos Brics, realizada no Rio de Janeiro em 6 e 7 de julho, como fator desencadeador da reação norte-americana. O encontro contou com participação on-line do presidente russo, Vladimir Putin, que defendeu a desdolarização e criticou o modelo de globalização liberal.

The Economist também menciona a investigação do STF sobre tentativa de golpe envolvendo o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), classificado pela revista como “ex-mandatário de extrema direita”. Apesar de divergências internas, o Congresso Nacional, dominado por partidos de direita, teria se unido em torno de Lula e discute tarifas de retaliação aos EUA, informa a publicação.

Impacto regional e reação do agronegócio

De acordo com a revista, os novos impostos norte-americanos atingiriam principalmente empresas instaladas em redutos eleitorais de Bolsonaro. A Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), geralmente alinhada ao ex-presidente, condenou o caráter “político” das tarifas, enquanto Bolsonaro declarou que a iniciativa “não tem nada a ver conosco”.

Pix na mira da investigação 301

A reportagem lembra que o governo dos EUA abriu investigação, com base na Seção 301, sobre supostas práticas comerciais desleais envolvendo o sistema de pagamentos instantâneos Pix. Para The Economist, os brasileiros reagiram com irritação, pois o Pix reduziu custos e ampliou a concorrência no setor bancário. A revista admite que a investigação “tem mérito”, mas sustenta que não é essa a principal motivação de Trump.

The Economist vê tarifa de 50% e cancelamento de vistos como “agressão chocante” de Trump ao Brasil - Imagem do artigo original

Imagem: Creative Commons via gazetadopovo.com.br

O governo brasileiro, afirma a publicação, tenta desde maio dialogar com a Casa Branca em busca de um acordo comercial, sem sucesso. Ao mesmo tempo, Lula estaria “revigorado” pela disputa e passou a usar um boné azul com a frase “O Brasil é dos brasileiros” em atos públicos.

Mesmo assim, um ex-diplomata ouvido pela revista alerta que o apoio pode arrefecer caso as tarifas entrem em vigor e agravem a economia. A matéria encerra levantando a dúvida sobre quem cederá primeiro na crise: o “impetuoso” Trump, de 79 anos, ou o “obstinado” Lula, da mesma idade.

Com informações de Gazeta do Povo