A edição desta semana da revista britânica The Economist, datada de 28 de agosto de 2025, traz o ex-presidente Jair Bolsonaro (2019-2022) na capa e projeta que ele será condenado no julgamento marcado para começar no Supremo Tribunal Federal (STF) na próxima terça-feira, 2 de setembro. O processo trata de suposta tentativa de golpe de Estado após a eleição de 2022.
Com o título “O que o Brasil pode ensinar aos Estados Unidos”, a publicação sustenta que a condução do caso demonstra “maturidade democrática” do país. Na ilustração da capa, Bolsonaro aparece caracterizado como Jake Angeli, o “xamã do QAnon”, símbolo da invasão ao Capitólio norte-americano em 6 de janeiro de 2021.
Segundo o texto, “Bolsonaro e seus aliados provavelmente serão considerados culpados”, o que faria do Brasil “um caso de teste para a recuperação de países de uma febre populista”. A revista afirma que Brasil e Estados Unidos estariam “trocando de lugar”: enquanto os EUA se tornariam “mais corruptos, protecionistas e autoritários”, o Brasil mostraria determinação em “salvaguardar e fortalecer sua democracia”.
A publicação cita medidas do governo norte-americano de Donald Trump contra o Brasil — entre elas, tarifas de 50% sobre produtos brasileiros e a revogação de vistos de ministros do STF — como reação ao processo contra Bolsonaro. Mesmo assim, argumenta a revista, o país seguiria comprometido com as instituições democráticas.
Críticas anteriores a Lula e Moraes
A Economist lembra que, em artigos recentes, já questionou a concentração de poder nas mãos do ministro do STF Alexandre de Moraes e avaliou que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva perde influência internacional e popularidade interna. Apesar disso, adota tom mais duro ao tratar de Bolsonaro, a quem imputa “desdém pela democracia” desde a juventude, vivida durante o regime militar encerrado em 1985.

Imagem: André Borges
Em outra reportagem da mesma edição, a revista menciona a duração indefinida do inquérito das fake news e decisões de Moraes sobre a remoção de perfis em redes sociais, mas sustenta que Bolsonaro e seus apoiadores buscaram “derrubar a democracia” brasileira. O artigo recorda ainda os ataques de 8 de janeiro de 2023, quando manifestantes bolsonaristas depredaram prédios dos Três Poderes após o ex-presidente questionar, sem provas, a confiabilidade das urnas eletrônicas.
A Economist também critica sanções impostas pelos Estados Unidos a Moraes com base na Lei Magnitsky, classificando a medida como “sem precedentes” por atingir um juiz em exercício em “uma democracia em funcionamento”.
Com informações de Gazeta do Povo