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Tecnologia chinesa fortalece repressão a protestos no Irã, dizem especialistas

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Teerã – O governo iraniano vem utilizando sistemas avançados de vigilância fornecidos pela chinesa Tiandy Digital Technology Co. para localizar, identificar e prender manifestantes que participam dos atuais protestos contra o regime islâmico, segundo especialistas em segurança internacional.

Craig Singleton, pesquisador sênior da Foundation for Defense of Democracies (FDD), afirma que os equipamentos da Tiandy – companhia ligada ao Partido Comunista Chinês (PCCh) – foram vendidos diretamente a órgãos de segurança iranianos. As ferramentas cruzam imagens captadas por câmeras espalhadas pelas cidades com bancos de dados estatais, possibilitando prisões direcionadas.

Singleton declarou na rede social X que o caso demonstra “autoritarismo digital em ação” e defendeu novas sanções contra a empresa por violações de direitos humanos. A mesma tecnologia já teria sido empregada em 2022, quando mulheres lideraram manifestações contra a obrigatoriedade do véu islâmico.

Exportação de vigilância

Reportagem da Newsweek aponta a Tiandy como parte de um conjunto de empresas chinesas que exportam sistemas de monitoramento para governos autoritários. Ativistas relatam que tais plataformas ampliam a capacidade do Estado iraniano de reconhecer rostos em tempo real e acompanhar deslocamentos de opositores.

A China é hoje o maior fornecedor global de tecnologia de vigilância. Segundo a publicação, o país exporta a outros governos a experiência adquirida no controle interno de sua própria população.

Rede de câmeras em expansão

Levantamento do site IranWire indica que, nos últimos anos, o Irã acelerou a instalação de câmeras em ruas, pontes, transportes públicos, prédios residenciais, estabelecimentos comerciais e escolas. Os equipamentos, vinculados a plataformas de reconhecimento facial e leitura de placas, foram viabilizados por contratos com companhias chinesas.

De acordo com a ONG Human Rights Activists News Agency, ao menos 2.571 pessoas morreram em consequência da repressão aos protestos em curso.

Com informações de Gazeta do Povo