O primeiro-ministro do Reino Unido, Keir Starmer, reconheceu nesta quarta-feira, 4 de fevereiro de 2026, que tinha ciência dos contatos mantidos entre o ex-ministro trabalhista Peter Mandelson e o financista norte-americano Jeffrey Epstein quando o indicou para o posto de embaixador britânico em Washington, em 2024.
A declaração foi dada durante a sessão semanal de perguntas ao premiê na Câmara dos Comuns. Starmer afirmou que, embora soubesse que Mandelson continuara a se comunicar com Epstein mesmo após a condenação do norte-americano por crimes sexuais, em 2008, foi “repetidamente enganado” sobre a real extensão da relação.
“Ele mentiu reiteradas vezes à minha equipe quando questionado sobre os laços com Epstein, antes e durante o processo de nomeação”, disse o chefe de governo, segundo transcrição do jornal The Guardian. Starmer acrescentou que se arrepende da escolha e garantiu que, caso as informações atuais estivessem disponíveis, Mandelson “jamais teria se aproximado do governo”.
O premiê informou que Mandelson é alvo de investigação da Polícia Metropolitana por suspeita de repassar informações de mercado e comunicações internas do governo a Epstein enquanto ocupava cargos ministeriais na gestão de Gordon Brown, em meio à crise financeira de 2008.
Com as novas suspeitas, o governo decidiu retirar Mandelson do Conselho Privado — órgão consultivo ligado à monarquia — e iniciou procedimentos para revogar seu título honorífico de lorde. “Ele comprometeu a reputação do Conselho”, afirmou Starmer.
A oposição conservadora pressiona pela divulgação completa dos documentos relacionados à nomeação de Mandelson como embaixador. Starmer declarou apoio à publicação, desde que trechos que possam afetar a segurança nacional ou as relações exteriores sejam suprimidos.
Na véspera, a Polícia Metropolitana já havia confirmado a abertura formal de inquérito sobre Mandelson. Arquivos divulgados pelos Estados Unidos em 30 de janeiro apontam que o ex-ministro recebeu US$ 75 mil de Epstein e manteve contato regular com ele enquanto ocupava cargos de alto escalão no governo britânico.
Com informações de Gazeta do Povo