Moscou – O governo russo acusou nesta quinta-feira (26) os Estados Unidos de tentar “escalar a situação” e “desencadear um conflito” com Cuba, um dia depois de uma lancha de bandeira norte-americana ser interceptada em águas territoriais cubanas, resultando em quatro mortos.
A porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da Rússia, Maria Zakharova, classificou o episódio como “provocação agressiva” em declaração à agência estatal Tass.
Lancha carregava armas e explosivos, diz Havana
Segundo o Ministério do Interior de Cuba, a embarcação, com dez ocupantes que vivem nos EUA, levava “fuzis de assalto, pistolas, coquetéis molotov, coletes à prova de balas, miras telescópicas e uniformes de camuflagem”. As autoridades cubanas afirmam que o grupo tinha “intenções terroristas”.
De acordo com a Guarda de Fronteira cubana, os tripulantes não obedeceram à ordem de parar e teriam disparado contra a patrulha, o que levou à reação que deixou quatro mortos e seis feridos.
Washington cobra esclarecimentos
O secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, disse que o governo americano responderá “como for necessário” após reunir informações independentes sobre o incidente. A declaração foi feita durante cúpula da Comunidade do Caribe (Caricom), em São Cristóvão e Nevis.
Rubio ressaltou que, até o momento, os dados disponíveis vêm apenas das autoridades cubanas e que a administração Donald Trump busca verificar os fatos por outras vias.
Investigação na Flórida
O procurador-geral da Flórida, James Uthmeier, anunciou abertura de investigação estadual. “Não se pode confiar no regime cubano. Faremos todo o possível para que esses comunistas prestem contas”, afirmou em redes sociais.
Contexto de tensão
O incidente ocorre em meio a nova rodada de sanções econômicas dos EUA contra Havana, especialmente no setor energético, adotadas após a captura do líder venezuelano Nicolás Maduro. As medidas aprofundaram a crise na ilha caribenha.
Em maio de 2024, o presidente russo, Vladimir Putin, recebeu o líder cubano Miguel Díaz-Canel em Moscou, reafirmando a aliança entre os dois países.
Até o momento, não há confirmação independente sobre as circunstâncias do tiroteio no mar.
Com informações de Gazeta do Povo