28/12/2025 – Moscou. O ministro das Relações Exteriores da Rússia, Sergey Lavrov, declarou neste domingo (28) que o país apoiará a China caso ocorra um confronto militar envolvendo Taiwan, reforçando o compromisso firmado no Tratado de Boa Vizinhança, Amizade e Cooperação de 16 de julho de 2001.
Em entrevista à agência estatal Tass, Lavrov afirmou que um dos princípios centrais do acordo bilateral é o “apoio mútuo na proteção da unidade nacional e da integridade territorial”. Segundo o chanceler, Moscou “reconhece a integridade territorial de Pequim” e se opõe à independência da ilha autogovernada há décadas.
O chefe da diplomacia russa acusou países ocidentais de estimular tensões no Estreito de Taiwan para benefício próprio. “Hoje, Taiwan é usada como ferramenta militar-estratégica de contenção contra a China. Há também interesse comercial: alguns no Ocidente não se opõem a lucrar com o dinheiro e a tecnologia taiwaneses”, afirmou, em mensagem interpretada como recado aos Estados Unidos.
Lavrov também criticou o fornecimento de armamentos norte-americanos a Taipé. “Armas americanas caras são vendidas a Taiwan a preços de mercado”, disse.
Sanções chinesas contra empresas dos EUA
Dois dias antes, em 26 de dezembro, o governo chinês impôs sanções imediatas a 20 empresas de defesa norte-americanas e a dez executivos por participarem de vendas de armas a Taiwan nos últimos anos. Entre as companhias listadas estão Boeing, Northrop Grumman Systems, L3Harris e VSE.
Em comunicado, Pequim acusou Washington de empurrar o mundo para uma “situação de guerra” após o então presidente americano Donald Trump sancionar a Lei de Autorização de Defesa Nacional para 2026, que amplia a oferta de armamentos à ilha.
As declarações de Lavrov reforçam a aproximação estratégica entre Moscou e Pequim em meio às disputas geopolíticas com os Estados Unidos.
Com informações de Gazeta do Povo