Moscou, 3 de fevereiro de 2026 — A dois dias do término do tratado START III, último acordo de desarmamento nuclear ainda vigente entre Rússia e Estados Unidos, o Kremlin avisou que a segurança global entrará em um estágio “mais perigoso” caso o pacto expire em 5 de fevereiro.
“Literalmente, dentro de pouco tempo o mundo estará em uma situação mais perigosa do que a atual”, declarou o porta-voz Dmitry Peskov em entrevista coletiva. Ele lembrou que, desde setembro de 2025, há sobre a mesa uma proposta russa para prorrogar por um ano os limites previstos no acordo, mas que Washington não respondeu.
Peskov classificou a ausência de um documento que controle os arsenais das duas potências como “muito ruim para a segurança estratégica mundial”. O tratado estabelece teto de 1.550 ogivas nucleares e 700 sistemas balísticos para cada lado.
China, França e Reino Unido no foco
Em meio às discussões para um eventual novo pacto, o Kremlin observou que os EUA desejam incluir a China, ideia à qual Pequim se opõe. Moscou, por sua vez, quer a presença de França e Reino Unido, ambos aliados de Washington, em qualquer negociação futura.
“Preparados para a nova realidade”
Em visita à China, o vice-ministro das Relações Exteriores Sergey Ryabkov afirmou que a Rússia está pronta para um cenário sem restrições a arsenais nucleares. “Calculávamos que isso poderia ocorrer. Não há nada extraordinário”, disse, acrescentando que Moscou elaborará uma política voltada a garantir “de maneira confiável” sua segurança.
Ryabkov descartou apresentar protesto formal pela falta de resposta dos EUA à proposta de extensão: “A ausência de resposta também é uma resposta”.
Suspensão russa desde 2023
O governo russo suspendeu a aplicação do START III em 21 de fevereiro de 2023, em reação ao apoio militar norte-americano à Ucrânia, mas não denunciou o tratado oficialmente. Desde então, inspetores ocidentais não têm acesso às instalações nucleares russas.
O Kremlin sinalizou ainda que negociar um novo entendimento com o presidente dos EUA, Donald Trump, será “longo e difícil”, apesar da declaração recente de Trump ao The New York Times de que, caso o acordo expire, “faremos um novo, que será ainda melhor”.
Com informações de Gazeta do Povo