Washington (04.jan.2026) – O secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio, amenizou neste domingo a declaração do presidente Donald Trump de que os Estados Unidos administrariam a Venezuela após a captura do ditador Nicolás Maduro.
Em entrevista ao programa Face the Nation, da CBS, Rubio afirmou que a estratégia imediata é manter o bloqueio às exportações de petróleo venezuelano “até que vejamos mudanças que atendam aos interesses nacionais dos Estados Unidos e proporcionem um futuro melhor ao povo venezuelano”.
O chefe da diplomacia citou como metas o combate ao tráfico de drogas, à presença de gangues e à atuação de grupos como as Farc, o ELN, o Hezbollah e o Irã “no nosso hemisfério”.
Sem planos de ocupação
Diante da insistência da apresentadora Margaret Brennan sobre a possibilidade de tropas em solo venezuelano, Rubio disse que “o presidente sempre mantém todas as opções sobre a mesa”, mas sinalizou não haver plano para um governo direto dos EUA no país de quase 30 milhões de habitantes.
Declaração de Trump e posição da Casa Branca
No sábado (3), poucas horas após a prisão de Maduro, Trump afirmou que os Estados Unidos “governariam a Venezuela” e levariam empresas americanas para explorar o petróleo local. Mais tarde, a Casa Branca informou que a vice do líder deposto, Delcy Rodríguez, assumiria interinamente a Presidência.
Operação de captura e próximos passos
Rubio relatou que a operação, classificada por ele como “complexa”, prendeu Maduro e sua esposa, ambos já indiciados nos EUA. Ministros do Interior e da Defesa seguem em Caracas, mas, segundo o secretário, respondem na Justiça norte-americana.
Questionado sobre a ausência de reconhecimento de María Corina Machado e Edmundo González – apontados por Washington como vencedores das eleições de 2024 –, o secretário evitou detalhes. “Nossas expectativas permanecem as mesmas”, disse, acrescentando que o governo avaliará futuros interlocutores “com base no cumprimento de condições” estipuladas pelos Estados Unidos.
Entrevista à NBC
Mais cedo, no Meet the Press da NBC, Rubio elogiou María Corina, mas lembrou que grande parte da oposição a Maduro está fora do país. “Temos questões de curto prazo a resolver nas próximas semanas e meses, sempre alinhadas ao interesse dos Estados Unidos”, declarou, reforçando que não via possibilidade de acordos com o regime deposto.
Rubio concluiu que a chamada “quarentena do petróleo” concede à Casa Branca “enorme influência” sobre os rumos políticos venezuelanos, embora não espere transformações imediatas.
Com informações de Gazeta do Povo