Washington, 16 jan. 2026 – O príncipe herdeiro do Irã, Reza Pahlavi, declarou nesta sexta-feira (16) que as mobilizações populares no país “derrubarão a república islâmica” e apelou por respaldo internacional para acelerar a transição de poder.
Filho do último xá, Mohammad Reza Pahlavi (1919-1980), o ex-monarca deposto na Revolução de 1979, o príncipe vive exilado nos Estados Unidos e tenta se posicionar como liderança para um futuro governo secular. “A república islâmica cairá; é apenas uma questão de tempo”, afirmou, em entrevista concedida em Washington.
Pahlavi busca o apoio do então presidente norte-americano Donald Trump para uma ação militar limitada contra Teerã. Segundo ele, um “ataque cirúrgico” à estrutura de comando da Guarda Revolucionária poderia enfraquecer o regime e proteger os manifestantes. O herdeiro também defende a expulsão de diplomatas iranianos no exterior e o restabelecimento da internet, cortada pelo governo durante os protestos.
Trump havia advertido o Irã que interviria caso houvesse mortes em manifestações, incentivando a população a controlar instituições estatais e prometendo que “a ajuda está a caminho”. Duas semanas depois, no entanto, Washington não adotou medidas militares. Em coletiva na quinta-feira (15), a porta-voz Karoline Leavitt afirmou que os Estados Unidos conseguiram suspender 800 execuções no país persa após o ultimato presidencial.
O príncipe criticou a postura de Barack Obama diante de protestos anteriores e exortou a Casa Branca a não repetir a estratégia. Ele considera a Guarda Revolucionária “fundamental para instituir terror internamente e no exterior”.
Pahlavi defende a condução de um referendo popular para escolher o formato de governo e promete relações mais próximas com Estados Unidos e Israel. Ele mencionou um possível “Acordo de Ciro”, inspirado em Ciro, o Grande, para normalizar vínculos com Tel Aviv e integrar o Irã à economia global.
A tentativa de liderar a transição enfrenta resistência entre opositores no exílio, que o acusam de estar desconectado da realidade doméstica. Analistas ouvidos pela imprensa norte-americana observam que não há sinais concretos de apoio popular à restauração da monarquia.
Mesmo assim, Pahlavi se diz comprometido em “recuperar o país da força hostil que o ocupa e mata seus filhos”. “Eu voltarei ao Irã”, concluiu.
Com informações de Gazeta do Povo