Teerã, 10 jan. 2026 – Exilado nos Estados Unidos, o príncipe herdeiro Reza Pahlavi intensificou nesta terça-feira (10) os apelos por uma “revolução nacional” no Irã, defendendo paralisações em setores estratégicos da economia para pressionar o governo teocrático.
Pahlavi, filho do último xá deposto em 1979, convocou greves especialmente nos ramos de petróleo e gás, responsáveis pela maior fatia da receita estatal. A paralisação, avalia, pode comprometer a capacidade do regime de sustentar forças de segurança e conter protestos que se espalham desde o início de 2025.
O príncipe argumenta que a desobediência civil é o caminho mais eficaz para derrubar o governo. Em mensagens nas redes sociais, pede que a população “ocupe e mantenha” centros urbanos até que as autoridades cedam. Ele promete regressar ao país “assim que a vitória for alcançada”.
Cenário econômico e apoio externo
A moeda iraniana perdeu 50% do valor em 2025, resultado de má gestão, sanções internacionais e elevados gastos militares. O quadro motivou a maior onda de manifestações desde 2022, quando a morte de Mahsa Amini gerou protestos em todo o território.
Nos Estados Unidos, o ex-presidente Donald Trump sinalizou apoio às mobilizações, mas evita comprometer-se formalmente com a oposição. Governos europeus condenam a repressão, porém não indicam disposição para intervir.
Oposição fragmentada
Apesar da visibilidade internacional, o movimento contrário à República Islâmica permanece desunido. Monarquistas ligados a Pahlavi disputam espaço com grupos de esquerda e minorias étnicas, faltando uma liderança interna coordenada. Essa divisão facilita a ação das autoridades.
Resposta do governo
O regime cortou o acesso à internet, mobilizou o Exército para proteger instalações estratégicas e intensificou prisões em massa. O Judiciário classificou os manifestantes como “vândalos” e “mercenários a serviço de potências estrangeiras”.
Organizações de direitos humanos relatam pelo menos 50 mortos — entre civis, crianças e agentes de segurança — e milhares de detenções. Teerã, Shiraz e Mashhad concentram os confrontos mais violentos.
Sem sinais de recuo de nenhuma das partes, analistas estimam que a crise possa se aprofundar caso as greves atinjam a produção de petróleo, pilar da economia iraniana.
Com informações de Gazeta do Povo