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Repórter chinês é preso após revelar suspeita de corrupção de dirigente do Partido Comunista

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O jornalista investigativo Liu Hu foi detido em 1º de fevereiro, poucos dias depois de publicar no WeChat uma reportagem que apontava denúncias de corrupção contra autoridades do Partido Comunista Chinês (PCCh) na província de Sichuan, informou a organização Repórteres Sem Fronteiras (RSF).

Segundo a entidade, agentes de segurança levaram Liu sob a acusação de “fazer acusações falsas” e “operações comerciais ilegais” — termos frequentemente usados pelo regime em casos que envolvem cobertura jornalística sensível. O conteúdo divulgado pelo repórter foi rapidamente removido da plataforma.

Além de Liu, o também jornalista Wu Yingjiao foi preso pelas mesmas alegações. Wu atua como freelancer e já foi indicado a prêmios independentes de jornalismo, de acordo com o site chinês Weiquanwang.

Reportagem apontava abusos de secretário local

O material publicado por Liu descrevia supostos abusos cometidos por Pu Fayou, secretário do PCCh no condado de Pujiang. Entre as denúncias estavam práticas que teriam levado um professor universitário ao suicídio e causado prejuízos financeiros a empresas de investimento.

A RSF afirmou que, antes da prisão, órgãos disciplinares do partido haviam procurado Liu, orientando-o a encaminhar eventuais denúncias apenas por “canais oficiais”. Para a organização, o caso ilustra o fortalecimento do controle estatal sobre a imprensa durante o governo de Xi Jinping.

Histórico de perseguição

Veterano na cobertura de corrupção, Liu Hu já passou quase um ano detido em 2013 sob acusações semelhantes. A RSF classifica o jornalista como um dos profissionais mais experientes em revelar irregularidades envolvendo autoridades de alto escalão na China.

Com a nova prisão, a entidade diz que o controle sobre a informação no país alcança “níveis quase totalitários”, tratando profissionais independentes como “ameaça ao Estado”.

Com informações de Gazeta do Povo