Londres, 12 de março de 2026 – O secretário de Defesa do Reino Unido, John Healey, afirmou nesta quinta-feira (12) que há indícios de participação russa nas estratégias militares adotadas pelo Irã desde o início da ofensiva norte-americana e israelense de 28 de fevereiro.
De acordo com Healey, análises de oficiais britânicos sugerem que o presidente russo, Vladimir Putin, pode ter contribuído para a mudança de tática iraniana, especialmente no emprego massivo de drones Shahed contra alvos ligados a forças ocidentais no Oriente Médio. “Acredito que ninguém se surpreenderia ao saber que a mão oculta de Putin está por trás de algumas dessas táticas e possivelmente de parte das capacidades do Irã”, declarou o ministro.
Uso de drones em baixa altitude
Militares do Reino Unido identificaram que Teerã tem operado os drones Shahed em voos rasantes, estratégia semelhante à aplicada pela Rússia na guerra da Ucrânia para driblar sistemas de defesa aérea. Como os próprios Shahed foram fornecidos anteriormente pelo Irã a Moscou, Londres avalia que a reciprocidade agora envolve transferência de experiência de combate acumulada no leste europeu.
Mais de 2 mil drones lançados
O chefe de Operações Conjuntas das Forças Armadas britânicas, tenente-general Nick Perry, calculou que o Irã já disparou mais de 2.000 drones Shahed contra países da região desde o início do atual confronto.
Troca de inteligência
Na semana passada, fontes do governo dos Estados Unidos ouvidas pela CNN relataram que a Rússia teria repassado ao Irã informações sobre posições e movimentações de tropas, navios e aeronaves norte-americanas. O Kremlin nega a transferência de dados militares, mas mantém diálogo com Washington e Teerã sobre o conflito.
Parceria militar em expansão
A cooperação de defesa entre Moscou e Teerã se intensificou após a invasão russa à Ucrânia, quando os drones de fabricação iraniana passaram a ser usados em larga escala no território ucraniano. Nos últimos anos, os dois países firmaram acordos para transferência de tecnologia e modernização de equipamentos bélicos.
Ameaças ao Estreito de Ormuz
Autoridades iranianas prometeram manter ataques a bases dos Estados Unidos no Oriente Médio e ameaçaram restringir o tráfego no Estreito de Ormuz, rota de cerca de 20% do petróleo comercializado no mundo. Healey informou que o Reino Unido e parceiros europeus discutem ações para proteger a navegação na área, enquanto Washington trabalha para reduzir a capacidade ofensiva iraniana.
Com informações de Gazeta do Povo