Washington, 27 de fevereiro de 2026 – Os Estados Unidos deslocaram dezenas de novas aeronaves militares para bases no Oriente Médio nos últimos dias, em meio ao impasse nas negociações nucleares com o Irã.
Imagens de satélite analisadas pela agência Reuters mostram que o número de aviões norte-americanos na base aérea Prince Sultan, na Arábia Saudita, saltou de 27, em 17 de fevereiro, para 43 no último fim de semana. Na quarta-feira (25), o total recuou para 38. Entre as aeronaves identificadas estão 13 reabastecedores KC-135 Stratotanker e seis aviões de alerta aéreo antecipado E-3 Sentry (AWACS).
Analistas consultados pela agência apontam que 29 dos aparelhos estacionados na base saudita em 21 de fevereiro eram de grande porte, sinalizando uma mobilização logística significativa.
Mais de 330 aeronaves sob o Centcom
Fotos obtidas pela agência turca Anadolu indicam que mais de 330 aeronaves dos Estados Unidos encontram-se atualmente posicionadas sob o Comando Central (Centcom), distribuídas principalmente entre as bases de Al-Udeid, no Catar; Muwaffaq Salti, na Jordânia; e Prince Sultan, na Arábia Saudita.
O contingente inclui caças F-18, F-15, F-16 e F-35, aviões de guerra eletrônica EA-18G Growler e plataformas AWACS. Dois grupos de porta-aviões, o USS Abraham Lincoln e o USS Gerald R. Ford, também operam na região.
Negociações emperradas em Genebra
Na última quinta-feira (26), em Genebra, Estados Unidos e Irã não conseguiram superar divergências sobre a limitação do programa nuclear iraniano e o controle de mísseis balísticos. Na sexta-feira (27), o presidente Donald Trump admitiu frustração com a falta de avanço e declarou que “às vezes é preciso usar a força”, embora tenha ressaltado não ter tomado decisão final sobre Teerã.
O ministro das Relações Exteriores de Omã, Sayyid Badr Albusaidi, mediador das conversas, afirmou haver progresso e previu novas rodadas técnicas na próxima semana, em Viena, mas reconheceu que ainda não houve avanço suficiente para reduzir a tensão militar.
Alerta para funcionários em Israel
Diante da escalada regional, o Departamento de Estado autorizou nesta sexta-feira a saída de funcionários não essenciais e familiares da missão diplomática norte-americana em Israel. O comunicado cita riscos de segurança e aponta que a situação em Tel Aviv, Jerusalém e demais áreas do país é “imprevisível”, com possibilidade de ataques com foguetes, morteiros, drones ou mísseis sem aviso prévio.
De acordo com o jornal The New York Times, o embaixador dos EUA em Israel, Mike Huckabee, enviou e-mail aos empregados sugerindo que deixem o país “o quanto antes” caso desejem.
As autoridades norte-americanas não informaram por quanto tempo o reforço militar permanecerá na região nem se novas unidades serão deslocadas enquanto durarem as conversas com Teerã.
Com informações de Gazeta do Povo