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Reconhecimento do Estado palestino só terá efeito com pacto direto entre as partes, diz analista

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O reconhecimento do Estado palestino por dez países durante a 80ª Assembleia Geral das Nações Unidas não remove a necessidade de um entendimento negociado entre israelenses e palestinos. A avaliação é do cientista político Igor Sabino, gerente de conteúdo da organização StandWithUs Brasil, ouvido pela Gazeta do Povo.

Na semana de debates em Nova York, França, Reino Unido, Canadá, Austrália, Portugal e outros cinco governos aderiram ao reconhecimento formal, elevando para 157 o número de Estados-membros da ONU que defendem a criação de um país palestino. Os novos apoiadores afirmam que qualquer futuro governo palestino deve excluir o Hamas, responsável pelos ataques de 7 de outubro de 2023.

Israel e seu principal aliado, os Estados Unidos, reagiram negativamente. Para Jerusalém e Washington, reconhecer a Palestina neste momento significaria “recompensar” o Hamas e dificultar a libertação dos 48 reféns ainda detidos na Faixa de Gaza.

Pressão considerada “contraproducente”

Sabino atribui a recente onda de reconhecimentos à tentativa de pressionar Israel devido à prolongada ofensiva em Gaza, iniciada após os atentados. Entretanto, ele considera a estratégia ineficaz. “A opinião pública israelense vê o gesto como um prêmio ao Hamas”, afirmou, lembrando que o grupo terrorista celebra publicamente cada novo país que apoia a criação de um Estado palestino.

O analista recordou que, diferentemente da coalizão internacional formada contra o Estado Islâmico, não houve mobilização global com o objetivo claro de enfraquecer o Hamas. “Sem pressão concentrada sobre o grupo, a guerra se alonga e os reféns continuam em poder dos terroristas”, disse.

Duas nações ainda são possíveis

Apesar do clima político adverso, Sabino não descarta a solução de dois Estados. Segundo ele, pesquisas indicam que a sociedade israelense pode rever sua posição se houver “sinais concretos” de segurança, como a libertação dos reféns, a retirada total do Hamas de Gaza e a participação de uma coalizão árabe ou muçulmana na administração do enclave.

O cientista político lembra que, em 2024, 99 dos 120 deputados do Knesset aprovaram moção contrária a qualquer reconhecimento unilateral da Palestina. “É uma reação ao trauma do 7 de outubro, mas não significa que seja definitiva. Israel é uma democracia; mudanças de cenário e de governo podem alterar o debate”, acrescentou.

Negociação direta é indispensável

Para a StandWithUs, qualquer arranjo duradouro depende de diálogo direto. “Israelenses e palestinos precisam chegar a um consenso. A comunidade internacional pode apoiar, mas não impor”, resumiu Sabino.

Ele citou ainda a desconfiança em Israel em relação à Autoridade Palestina, presidida por Mahmoud Abbas, apontando acusações de corrupção e programas de pagamento a famílias de envolvidos em ataques contra israelenses. Sem reformas palestinas e garantias de segurança, concluiu, o tema do Estado palestino continuará paralisado.

Com informações de Gazeta do Povo