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Quênia acusa Moscou de aliciar mais de 200 cidadãos para o front na Ucrânia

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Nairóbi – O governo do Quênia denunciou nesta quarta-feira (12) que mais de 200 quenianos foram recrutados pela Rússia para combater na guerra contra a Ucrânia. Segundo o ministro das Relações Exteriores, Musalia Mudavadi, intermediários prometiam empregos e pagamentos de até US$ 18 mil para cobrir vistos, passagens e acomodação.

Em coletiva de imprensa na capital queniana, Mudavadi afirmou que as redes de aliciamento continuam operando tanto em território queniano quanto na Rússia. Parte dos recrutados, de acordo com o chanceler, é composta por ex-integrantes das forças de segurança do país.

A embaixada do Quênia em Moscou confirmou a presença de cidadãos feridos entre os combatentes enviados ao front ucraniano. O esquema veio à tona após uma operação policial nos arredores de Nairóbi, em setembro, que resgatou 21 pessoas prestes a viajar para a Rússia. Um dos suspeitos de coordenar o recrutamento foi detido e responderá por tráfico de pessoas.

Muitos dos resgatados relataram ter sido enganados por agências que ofereciam vagas civis na Rússia. “Lamentavelmente, essas pessoas foram iludidas sobre a verdadeira natureza do trabalho”, declarou Mudavadi, recomendando que quem busca oportunidades no exterior procure apenas empresas registradas no Ministério do Trabalho e na Agência Nacional de Emprego.

Reportagem da BBC aponta que o caso queniano se insere em uma tendência maior: desde o início da invasão da Ucrânia, em 2022, cerca de 1,4 mil africanos de mais de 30 países teriam sido recrutados por Moscou, muitas vezes por meio de falsos anúncios de trabalho. O vice-chanceler ucraniano, Andriy Sybiha, comparou os contratos oferecidos pela Rússia a “sentenças de morte” e pediu que governos africanos alertem suas populações.

Com informações de Gazeta do Povo