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Projeto Vault de Trump mira Brasil ao criar reserva bilionária de terras raras

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Washington (EUA) – O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, lançou no início de fevereiro o Projeto Vault, plano que prevê investir cerca de US$ 12 bilhões para formar um estoque nacional de terras raras e outros minerais críticos, reduzindo a dependência de insumos oriundos da China.

A iniciativa segue o modelo da reserva estratégica de petróleo criada nos anos 1970 e pretende proteger setores como indústria automotiva, eletrônicos, defesa e tecnologia avançada. Segundo a Casa Branca, o estoque atuará como seguro contra choques de oferta semelhantes aos observados em 2025, quando Pequim restringiu exportações durante uma disputa comercial.

Mineração dominada pela China

Hoje, a China responde por aproximadamente 70% da extração global e quase 90% da capacidade mundial de processamento de terras raras — grupo de 17 elementos essenciais para turbinas eólicas, veículos elétricos, sistemas de defesa, celulares e satélites.

Investimentos e participação acionária

Além de comprar e guardar os insumos, o Projeto Vault contempla acordos de longo prazo, apoio financeiro e participação minoritária do governo norte-americano em empresas da cadeia de minerais críticos, informou a Bloomberg.

América do Sul no radar

Na quarta-feira (4), a Argentina assinou memorando de cooperação com Washington para fortalecimento da mineração e do processamento desses minerais. Japão, União Europeia e México também aderiram à estratégia em reunião que contou com delegações de 50 países.

O Brasil esteve presente, mas ainda avalia adesão formal. Detentor da segunda maior reserva mundial de terras raras, o país deve tratar do tema no encontro previsto entre Trump e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva em março, em Washington.

Acordo com a Serra Verde

No dia seguinte, quinta-feira (5), a mineradora goiana Serra Verde — única produtora ativa de terras raras no Brasil — fechou financiamento de US$ 565 milhões (cerca de R$ 3 bilhões) com a Corporação Financeira de Desenvolvimento Internacional dos EUA (DFC). O pacote inclui opção de participação minoritária norte-americana na empresa.

Para o diretor-presidente da companhia, Thras Moraitis, o apoio dos EUA ajudará a “construir novas cadeias de valor independentes”.

Potencial e desafios brasileiros

Especialistas ouvidos pela reportagem avaliam que o Brasil tem recursos para se tornar fornecedor estratégico fora da órbita chinesa, mas carece de capacidade local de refino, separação e fabricação de componentes de alto valor agregado.

O analista Nelio Fernando dos Reis aponta que um suprimento diversificado exige, além da mineração, instalações de processamento fora da China. Ele elenca fatores que atraem Washington para a região, como proximidade logística, ampla carteira de minerais (lítio, cobre, grafite) e espaço para contratos de longo prazo com transferência de tecnologia.

Já a especialista Adriana Melo alerta que exportar apenas concentrados manteria o Brasil na base da cadeia, sem capturar o “prêmio estratégico” dos produtos finais.

No curto prazo, a presença de um comprador estatal robusto como os EUA tende a acirrar a disputa por contratos e pressionar preços, avaliam analistas, embora não elimine completamente a dependência estrutural de Washington em relação a Pequim.

Enquanto negociações avançam, governadores brasileiros, como Ronaldo Caiado (PSD-GO), intensificam agendas nos Estados Unidos para atrair investimentos em mineração e buscar parcerias que contemplem transferência de tecnologia e industrialização local.

Com o Projeto Vault em andamento, Brasil e demais países sul-americanos entram de vez na disputa geopolítica por minerais críticos que sustentam a transição energética e a indústria de defesa do século XXI.

Com informações de Gazeta do Povo