Agricultores franceses e belgas mantiveram neste domingo, 10 de janeiro de 2026, bloqueios em rodovias e na entrada do porto de Le Havre, no noroeste da França, para protestar contra o acordo de associação entre a União Europeia (UE) e o Mercosul.
Em Le Havre, cerca de 300 produtores fiscalizavam caminhões, liberando apenas veículos de trabalhadores do terminal e cargas que, segundo eles, “respeitam as regras de produção” europeias. O secretário-geral do sindicato Jovens Agricultores no departamento de Sena-Marítimo, Justin Lemaitre, afirmou à rádio France Info que o objetivo é “denunciar o acordo do Mercosul”.
Lemaitre disse que o grupo permanecerá no local “o tempo que as forças permitirem” e enquanto a polícia — que cercava a área à distância — tolerar a mobilização. Apesar de os embaixadores dos 27 países da UE terem aprovado o tratado na sexta-feira, 9 de janeiro, com voto contrário da França, o sindicalista vê alternativas para barrar a implementação, como a votação no Parlamento Europeu e um possível recurso ao Tribunal de Justiça da UE.
Outros pontos de bloqueio foram erguidos em solo francês, principalmente no sul: na rodovia A63, no pedágio de Biriatou, na fronteira com a Espanha, e na A64, entre Toulouse e Bayonne, na altura de Carbonne.
Entidades agrícolas de diferentes países criticaram o avanço do tratado e prometeram novas mobilizações. Na última semana, protestos foram registrados em Espanha, França, Alemanha, Bélgica e Grécia. A UE pretende assinar formalmente o acordo em 17 de janeiro, no Paraguai.
Bloqueios se mantêm na Bélgica
Na Bélgica, interrupções continuavam neste domingo nas províncias de Hainaut e Namur, ambas na fronteira francesa. Na rodovia E411, em Namur, parte da via seguia fechada, e diversos bloqueios se mantinham em direções distintas de Hainaut. Na noite de sexta-feira, 9 de janeiro, a maioria das barreiras havia sido desmontada após dois dias de manifestações intensas.
Em Bruxelas, a polícia informou que, no sábado, 10 de janeiro, um condutor de trator despejou uma carga de batatas na Grand-Place como ato simbólico contra o tratado; o motorista foi levado para interrogatório, segundo a porta-voz Ilse Van de Keere.
A organização flamenga Boerenbond, que protestou na quinta-feira, 8 de janeiro, em frente ao Parlamento Europeu, alega que o acordo obrigará o setor agrícola a concorrer com produtos importados “produzidos com padrões mais baixos e controles insuficientes”. A crítica foi feita por Pieter Verhelst, membro da diretoria da entidade.
Com informações de Gazeta do Povo