A detenção do presidente venezuelano Nicolás Maduro por forças especiais dos Estados Unidos, executada sem baixas norte-americanas, abriu um novo capítulo na geopolítica continental. A operação ocorreu na segunda-feira, 5 de janeiro de 2026, e foi apresentada por Washington como cumprimento de um mandado de prisão expedido pela Justiça norte-americana, que acusa Maduro de narcoterrorismo, tráfico internacional de drogas e uso de armamento pesado.
De acordo com o ex-procurador Deltan Dallagnol, a intervenção não foi ato de guerra, mas a execução de decisão judicial contra “um fugitivo da lei nos Estados Unidos”. Ele destacou que o governo do presidente Donald Trump retomou, com a ação, o espírito da Doutrina Monroe — “América para os americanos” — reafirmando que não tolerará influências externas na região.
Reações no exterior e no Brasil
A prisão gerou críticas imediatas na Organização das Nações Unidas (ONU), onde China e Rússia condenaram a operação. No Brasil, o presidente Lula publicou em sua conta na rede X que o episódio “representa uma afronta gravíssima à soberania da Venezuela” e cria “precedente extremamente perigoso para toda a comunidade internacional”.
O vereador brasileiro Guilherme Kilter rebateu o argumento de violação de soberania. Para ele, “soberania pertence ao povo”, e os venezuelanos já teriam rejeitado Maduro em sucessivas eleições, embora o governante tenha permanecido no poder.
Maduro e esposa formalmente acusados
Na própria segunda-feira (5), Maduro e a primeira-dama Cilia Flores compareceram a um tribunal federal em Nova York, onde se declararam inocentes de todas as acusações. Ambos permanecem sob custódia norte-americana enquanto o processo avança.
Possibilidade de colaboração
A advogada Fabiana Barroso afirmou que a prisão pode levar Maduro a negociar uma delação premiada em busca de condições mais favoráveis. “Vivo, Maduro pode falar. Com o choque de realidade na prisão, talvez ele pense em colaborar para viver em lugar com condições melhores; ele está acostumado ao luxo”, disse.
Impacto político
Dallagnol avaliou que a principal vencedora do episódio é “a população venezuelana, que se livra de um ‘narcoditador’”. Segundo ele, a estabilidade regional tende a melhorar, uma vez que o regime de Maduro “alimentava fluxos migratórios desordenados” e facilitava o tráfico de entorpecentes. O ex-procurador acrescentou que Trump amplia sua popularidade com a ação, enquanto a esquerda mundial perde um de seus símbolos mais conhecidos.
Com informações de Gazeta do Povo