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Pressão dos EUA reacende debate sobre quem poderia assumir o poder na Venezuela pós-Maduro

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A crescente ameaça de intervenção – militar ou diplomática – dos Estados Unidos volta a colocar em pauta quem comandaria a Venezuela caso o presidente Nicolás Maduro fosse afastado. Em 21 de novembro, durante conversa telefônica, o presidente norte-americano Donald Trump deu ao dirigente chavista uma semana para renunciar e buscar asilo fora do país. O prazo expirou sem resposta, e, na semana passada, Trump declarou que “os dias de Maduro estão contados”.

Militares de alto escalão sob suspeita

Dois nomes tradicionalmente ligados à cúpula chavista aparecem em listas elaboradas pela imprensa internacional: o ministro da Defesa, Vladimir Padrino López, e o ministro do Interior e secretário-geral do Partido Socialista Unido da Venezuela (PSUV), Diosdado Cabello. Ambos, porém, enfrentariam resistência de Washington. Padrino é visto como articulador da postura beligerante do regime, enquanto Cabello responde a acusações dos EUA por narcotráfico, com recompensa de US$ 25 milhões oferecida por sua captura – cifra menor apenas que a estabelecida para o próprio Maduro (US$ 50 milhões).

Delcy Rodríguez: vice com perfil mais pragmático

No mesmo telefonema de novembro, Maduro sugeriu que a vice-presidente Delcy Rodríguez liderasse um governo de transição até novas eleições, proposta rejeitada pela Casa Branca, segundo a agência Reuters. Embora tenha adotado medidas econômicas consideradas mais próximas do mercado, Delcy mantém-se aliada das alas duras do chavismo. Seu irmão, Jorge Rodríguez, presidente do Parlamento, patrocina projetos como a retirada venezuelana do Tribunal Penal Internacional e a anexação do Essequibo, reivindicação sobre 70 % do território da Guiana.

Juan Guaidó perde espaço

Juan Guaidó autoproclamou-se presidente interino em 2019, com reconhecimento de diversos governos, mas não conseguiu retirar o chavismo do poder. A “presidência interina” foi encerrada pela Assembleia Nacional eleita em 2015, no fim de 2022. Desde então, o deputado viu sua influência diminuir diante de novas lideranças oposicionistas.

Edmundo González: presidente eleito que não tomou posse

No pleito de 28 de julho de 2024, a oposição declarou vitória de Edmundo González. O Conselho Nacional Eleitoral, controlado por chavistas, oficializou resultado inverso e confirmou Maduro. Diante de ordem de prisão expedida em setembro daquele ano, González asilou-se na Espanha. Estados Unidos, Argentina e outros países defendem que o resultado das urnas seja respeitado. A líder opositora María Corina Machado reafirma que González deveria assumir o Palácio de Miraflores e já se declarou disposta a ocupar a vice-presidência em eventual governo dele.

María Corina Machado ainda no radar

Impedida de concorrer em 2024, María Corina foi a principal apoiadora de González e recebeu o Prêmio Nobel da Paz de 2025 pela mobilização em defesa da democracia venezuelana. Com forte respaldo de Washington – foi indicada ao Nobel pelo secretário de Estado Marco Rubio –, é considerada opção viável caso se abra espaço para novo acordo político ou uma eleição supervisionada internacionalmente.

Enquanto a pressão externa se intensifica e tropas norte-americanas permanecem de prontidão, o futuro imediato da Venezuela segue indefinido. A escolha do sucessor de Maduro dependerá não apenas das correntes internas de poder, mas também da aceitação internacional, em especial dos Estados Unidos.

Com informações de Gazeta do Povo